<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811</id><updated>2012-02-16T22:07:17.660Z</updated><title type='text'>Romeiro</title><subtitle type='html'>Para a pergunta, Romeiro, Romeiro, quem és tu? não tenho a resposta de Garrett. Tenho o meu nome, a minha estória, a capacidade de responder a todas as perguntas e a paciência esgotada por ouvir e ler disparates sobre os meus projectos, sem a minha versão. A minha resposta é: Sou Leston Bandeira, jornalista profissional, cidadão de corpo inteiro, protagonista de muitas batalhas mas de nenhuma fuga. Por isso, estou aqui. Com fotografia e tudo.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>47</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-2345711964725857029</id><published>2007-08-25T11:54:00.001+01:00</published><updated>2008-11-14T14:17:56.649Z</updated><title type='text'>As pequenas estória da História no "África"</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/RtBfARmKI2I/AAAAAAAAAFk/zfpxaTYTRDA/s1600-h/Amigos+036.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5102682836138861410" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/RtBfARmKI2I/AAAAAAAAAFk/zfpxaTYTRDA/s320/Amigos+036.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;A memória de tanto tempo vivido com tanta intensidade não chega para tudo, mas com certas ajudas, sempre lá vou chegando. Uma delas são as fotos que vou vendo, mexendo no arquivo. No último texto que aqui publiquei, servi-me de fotografias para mostrar alguns aspectos do que era a guerra em torno do Kuito Kuanavale.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A equipa do "África" - eu e a Ana Consolado - fomos integrados num grupo de jornalistas considerados verdadeiramente independentes, depois de uma reunião havida com o Chico Simons, que, nessa altura era o Adido de Imprensa da Embaixada de Angola. Ele percebeu claramente o interesse de mostrar a realidade em órgãos de comunicação social diferentes daqueles em que habitualmente apareciam as reportagens sobre Angola. Infelizmente o Simons já nos deixou, mas aproveito para lhe prestar aqui a minha homenagem. Foi através dele, da mulher dele, a João, e do Embaixador de então, Rui Mingas, que Angola se abriu à comunicação social considerada "independente".&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Todavia, no terreno, as intenções não foram entendidas por todos e, quando chegámos fomos integrados num grupo de jornalistas do chamado mundo socialista, que, incluía, ovbiamente, cubanos. Depois de uma primeira viagem, protestámos e lá ficámos sózinhos, isto é, um grupo de jornalistas que incluía os que tinham ido de Lisboa e alguns idos dos Estados Unidos, de diversas cadeias de televisão e de alguns jornais.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sobretudo para os repórters de imagem o interesse era acção: queriam &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/RtBlcRmKI3I/AAAAAAAAAFs/jckd8y2XM40/s1600-h/Digitalizar.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5102689914244965234" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 315px; CURSOR: hand; HEIGHT: 218px" height="218" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/RtBlcRmKI3I/AAAAAAAAAFs/jckd8y2XM40/s320/Digitalizar.jpg" width="364" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ver a guerra, ela mesma.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na altura, era ministro da Defesa, Kundy Payama, que resolveu, no Kuíto, fazer conferência de imprensa para dizer "nada". Ninguém lhe ligou "nada". Houve mesmo um repórter de uma das cadeias norte-americanas que foi colocar-lhe a câmara aos pés.&lt;/p&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/RtAX4BmKI0I/AAAAAAAAAFU/_1-LHQxOFtI/s1600-h/Kundy+Paiama.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;p&gt;Payama fingiu que não me conhecia, tentou fazer o discurso da simpatia e acabou por ficar a olhar para o céu.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/RtAZLhmKI1I/AAAAAAAAAFc/APMMCAmJE08/s1600-h/Kundy+Paiama.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-2345711964725857029?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/2345711964725857029/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=2345711964725857029' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/2345711964725857029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/2345711964725857029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2007/08/as-pequenas-estria-da-histria-no-frica.html' title='As pequenas estória da História no &quot;África&quot;'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/RtBfARmKI2I/AAAAAAAAAFk/zfpxaTYTRDA/s72-c/Amigos+036.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-7772390268421391570</id><published>2007-08-21T14:54:00.000+01:00</published><updated>2007-08-21T15:52:07.297+01:00</updated><title type='text'>Kuito Kuanavale - a cidade ( A História "feita pelo "África")</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rsr6shmKIxI/AAAAAAAAAE8/QSlGdykx030/s1600-h/Cuito+Cuanavale.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5101165170790114066" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rsr6shmKIxI/AAAAAAAAAE8/QSlGdykx030/s320/Cuito+Cuanavale.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Esta imagem é a mais representativa do Kuito-Kuanavale, uma pequena povoação com meia dúzia de casas e dois reservatórios de água para abastecer essa meia dúzia de habitações de comerciantes que, nos tempos coloniais, viviam da permuta: recebiam milho e outros cereais em troca de produtos manufacturados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/RsrxFRmKIoI/AAAAAAAAAD4/cbHwNReBqrY/s1600-h/Cuito+Cuanavale-+ponte.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5101154600875598466" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/RsrxFRmKIoI/AAAAAAAAAD4/cbHwNReBqrY/s320/Cuito+Cuanavale-+ponte.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;Durante muitos meses, este local ermo foi referido na comunicação internacional como a cidade do Kuito-Kuanavale - o lugar de todas as regrefas entre as tropas cubanas e sul-africanas, que actuavam, respectivamente, em nome do MPLA e da UNITA.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na imagem da direita, estou eu a passar para o outro lado de uma ponte improvisada entre um dos rios. Atrás, reconhecem-se o António Gonçalves, a Jill Jollife e um jovem do Centro de Imprensa que levou para a viagem uma câmara amadora. A foto, tal como a outra é da Ana Consolado. No regressso, em fuga, já que os sul-africanos nos fustigaram com os canhões G-5, o Patrick Reina deixou cair todo o seu equipamento ao rio, o correspondente da China vomitou-se todo e o major que nos acompanhou foi o primeiro a refugiar-se no blindado&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/RsrzQxmKIrI/AAAAAAAAAEQ/WYftPUxHWWM/s1600-h/Heli.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5101156997467349682" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/RsrzQxmKIrI/AAAAAAAAAEQ/WYftPUxHWWM/s320/Heli.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rsrx5BmKIpI/AAAAAAAAAEA/y86VV2SO1eY/s1600-h/Blindado+de+patrulha.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5101155489933828754" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rsrx5BmKIpI/AAAAAAAAAEA/y86VV2SO1eY/s320/Blindado+de+patrulha.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para aqui chegarmos aqui utilizámos os mais diversos transportes. Como esse blindado aí em cima. E descobrimos o que era um exército camuflado nas matas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Utilizámos igualmente o helicóptero, escoltado popr um MI 8, bonito a sério .&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/RsrzuhmKIsI/AAAAAAAAAEY/_IKqwCugb0I/s1600-h/Heli+Mi8.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5101157508568457922" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/RsrzuhmKIsI/AAAAAAAAAEY/_IKqwCugb0I/s320/Heli+Mi8.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No regresso ao Kuito, utilizámos o Casa para, em voos de "espiral da morte" fazermos a viagem até Cuemba, a poucos quilómetros do Munhango, onde Savimbi mantinha resistência. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No aeroporto do Kuito, onde passámos algumas horas, assistimos ao levantar e aterra de vários aviões, de grande e médio porte, para transporte, quer de material, que de homens, todos fazendo a espiral da morte&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rsr0ShmKItI/AAAAAAAAAEg/UvtpE7Q9VHA/s1600-h/Cuemba.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5101158127043748562" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rsr0ShmKItI/AAAAAAAAAEg/UvtpE7Q9VHA/s320/Cuemba.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rsr3bhmKIvI/AAAAAAAAAEs/YwhZvNjSFn8/s1600-h/soldados+%C3%A0+espera+de+embarque,+no+Cuito.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5101161580197454578" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rsr3bhmKIvI/AAAAAAAAAEs/YwhZvNjSFn8/s320/soldados+%C3%A0+espera+de+embarque,+no+Cuito.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rsr6CRmKIwI/AAAAAAAAAE0/fnPCPgZFt3w/s1600-h/soldados+%C3%A0+espera+de+embarque,+no+Cuito.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-7772390268421391570?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/7772390268421391570/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=7772390268421391570' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/7772390268421391570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/7772390268421391570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2007/08/kuito-kuanavale-cidade.html' title='Kuito Kuanavale - a cidade ( A História &quot;feita pelo &quot;África&quot;)'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rsr6shmKIxI/AAAAAAAAAE8/QSlGdykx030/s72-c/Cuito+Cuanavale.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-42580909630425541</id><published>2007-08-15T17:23:00.000+01:00</published><updated>2007-08-15T18:09:42.999+01:00</updated><title type='text'>A História feita pelo "África"(2)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/RsMpcM3aKWI/AAAAAAAAADM/JO1aHuhRz5I/s1600-h/Jornal+%C3%81frica+011.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5098964767580236130" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/RsMpcM3aKWI/AAAAAAAAADM/JO1aHuhRz5I/s320/Jornal+%C3%81frica+011.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na última mensagem aqui publicada recordámos o fusilamento de seis políticos guineenses, em Junho de 1986. Era então presidente da República, o general Nino Vieira (João Bernardo), tal como é hoje.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para que se perceba que aquele não foi um acto isolado, transcrevo aqui hoje o texto de um crónica que publiquei em Maio do mesmo ano:&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;"Nas prisões da Guiné Bissau morreu mais um homem.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Agostinho Gomes era seu nome e na lista dos mortos nas cadeias guineenses junta-se aos de André Gomes, Lay Seck, João da Silva.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Outros combatentes da liberdade da Pátria - assim são denominados, na Guiné Bissau, os guerrilheiros do PAIGC, que nas matas do país conquistaram a Independência Nacional.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Segundo a versão oficial - em que ninguém pode acreditar - Agostinho Gomes morreu vítima de uma «anemia profunda com avitaminose».&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;João da Silva, na versão oficial, foi morto, quando tentava fugir da prisão. A sangue frio.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;André Gomes, no dizer oficial, enforcou-se com um fio eléctrico da prisão.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Lay Seck sucumbiu a um problema cardíaco.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Explicações para mortes inexplicáveis.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Explicações que não se dão relativamente a outros nomes. Que é feito de Constantino Teixeira, Umaru Djaló, Julião Lopes, Agostinho de Almada, Bacara Cassamá, Malan Gino Mané?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Onde estão Morgado Tavares, Armando Soares da Gama, Koté?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Por onde andam tantos outros, cujos nomes nem sabemos, mas que habitam o quartel da marinha, a cadeia central ou a ilha das galinhas?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Perante as motícias de mortes enclausuradas que nos chegam de Bissau, perante a variedade de explicações técnicas para estas mortes, temos o direito de duvidar das explicações, em primeiro lugar.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Em segundo, também nos assiste a legitimidade necessária para perguntar: onde estão os outros presos?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Que se passa afinal nas prisões da Guiné Bissau, onde é possível morrer de anemia e avitaminose?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Agostinho Gomes é a última vítima conhecida. Quantas mais aparecerão nas páginas dos jornais, em notícias meio escondidas?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Que pode existir na Guiné Bissau que vai eliminando, aos poucos, aqueles que elegeu como «melhores filhos da terra»?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Quem pode explicar à opinião pública internacional tudo isto?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Como se pode ficar indiferente a esta informação necrológica que ciclicamente vem de Bissau?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Há tanta gente a combater o terrorismo...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Morrer gente na cadeia, mesmo que seja à míngua de alimentos, é uma violência que não cabe no nosso tempo. A verdade é que não coube em tempo nenhum, embora tenha havido a inquisição, o nazismo, a gestapo, a pide, etc..&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Como se pode pode chamar este fenómeno tipicamente guineense?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;No fim das linhas fica-me a angústia de não ter mais do que perguntas. Quem tem as respostas?"&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;No mês seguinte, Nino (João Bernardo) Vieira dava a resposta mandando fusilar mais seis "adversários".&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esta foi a História de há 11 anos, mas, entretanto, depois de muitas voltas, o povo da Guiné Bissau voltou a aceitar o carrasco das suas esperanças.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-42580909630425541?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/42580909630425541/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=42580909630425541' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/42580909630425541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/42580909630425541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2007/08/histria-feita-pelo-frica2.html' title='A História feita pelo &quot;África&quot;(2)'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/RsMpcM3aKWI/AAAAAAAAADM/JO1aHuhRz5I/s72-c/Jornal+%C3%81frica+011.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-7555692991671303334</id><published>2007-08-12T11:42:00.000+01:00</published><updated>2007-08-14T14:45:58.347+01:00</updated><title type='text'>A História feita pelo "Africa" (1)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rr7yGs3aKPI/AAAAAAAAACU/0on_AJFtejs/s1600-h/%C3%81frica+003.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rr7rwc3aKNI/AAAAAAAAACE/2_lRcfXW7R0/s1600-h/%C3%81frica+003.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5097771045844822226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 248px; CURSOR: hand; HEIGHT: 2px; TEXT-ALIGN: center" height="129" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rr7rwc3aKNI/AAAAAAAAACE/2_lRcfXW7R0/s320/%C3%81frica+003.jpg" width="248" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rr7nH83aKMI/AAAAAAAAAB8/XOxIYDbgNYg/s1600-h/Jornal+%C3%81frica+006.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5097765952013609154" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rr7nH83aKMI/AAAAAAAAAB8/XOxIYDbgNYg/s320/Jornal+%C3%81frica+006.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; As notícias que chegam da Guiné Bissau são preocupantes, cada vez mais: é o corolário do pós-14 de Novembro de 1980, data de um golpe de estado promovido por forças que fizeram de Nino Vieira o presidente da República, sendo ele, na altura, primeiro-ministro. A partir daquela data a incapacidade de os guineenses montarem um Estado foi-se acentuando.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Em Junnho de 1986, Nino Vieira mandou fusilar seis ex-combatentes da luta de libertaçâo, considerados seus rivais na disputa da presidência da República. Um deles foi Paulo Correia, cuja imagem reproduzo aqui, tirada da primeira página do nº de 23/7/86 Os outros foram Viriato Pan, Binhaquerem Na Tchanda, Pedro Ramos, Braima Branquita e Nbana Sambu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No nº de 23/7/86, o Jornal "África, além de interrogar se Nino seria o próximo, dava a notícia, dizendo que aquele "crime legalizado" poderia "&lt;strong&gt;arrastar a Guiné Bissau para a desintegração como Estado uno e Independente".&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No nº anterior, de 11/6/86, na minha crónica com o título genério "DIRECTA", cuja imagem também aqui reproduzo, para além de manifestar as minhas dúvidas sobre a possibilidade de Paulo Correia entrar numa aventura de golpe de Estado, eu chamava a atenção para o facto de a Guiné Bissau, como Estado, estar a ficar com a fome e a guerra como únicas alternativas. Foi o que aconteceu de lá para cá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O responsável pelo actual estado de coisas, pela verdadeira insolvência do estado da Guiné Bissau é Nino Vieira, que, durante muito tempo, para sobreviver fez prevalecer a sua condição de chefe de estado junto das "duas Chinas ". Sempre que visita Taywan recebia uma avultada quantia numa das suas contas bancárias. Agora, de novo presidente da República, como não pode fazer o mesmo jogo, transformou o território em zona de passagem de droga. A Guiné Bissau, não sendo um estado credível, começa a ser, de facto, um perigo para a região e não só.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;.&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5097763568306759858" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 299px; CURSOR: hand; HEIGHT: 567px" height="381" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rr7k9M3aKLI/AAAAAAAAAB0/2FYrTTnsdxc/s320/Jornal+%C3%81frica+011.jpg" width="166" border="0" /&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-7555692991671303334?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/7555692991671303334/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=7555692991671303334' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/7555692991671303334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/7555692991671303334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2007/08/histria-feita-pelo-africa-1.html' title='A História feita pelo &quot;Africa&quot; (1)'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rr7rwc3aKNI/AAAAAAAAACE/2_lRcfXW7R0/s72-c/%C3%81frica+003.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-5597694128028896298</id><published>2007-08-09T19:34:00.000+01:00</published><updated>2007-08-09T19:49:35.459+01:00</updated><title type='text'>As Visitas ao "África"</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rrtgts3aKFI/AAAAAAAAAAw/6aGvMFpszIE/s1600-h/Profissional+034.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5096773741553789010" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rrtgts3aKFI/AAAAAAAAAAw/6aGvMFpszIE/s320/Profissional+034.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/RrtexM3aKEI/AAAAAAAAAAo/kCor6mVba0g/s1600-h/Profissional+035A.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5096771602660075586" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/RrtexM3aKEI/AAAAAAAAAAo/kCor6mVba0g/s320/Profissional+035A.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Ao longo dos seus sete anos de vida (uma eternidade...!!!), o "África foi procurando manter com as comunidades africanas instaladas em Portugal um contacto permanente. Mesmo com as chamadas autoridades institucionais, como por exemplo, os embaixadores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Angola, quer pela importância que tinha, naquela altura, do ponto de vista noticioso, já que era um país em guerra, quer pelas relações muito estreitas que ligava uma maioria da redacção áquele país, era especialmente considerado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Enquanto foi embaixador de Angola em Lisboa, Rui Mingas sempre teve connosco uma relação privilegiada e de amizade. Houve uma ocasião em que nos fez uma visita. Aqui está ele comigo e com o Leonel Cosme, em plena redacção. Na fotografia da esquerda ainda se reconhece João Simons, que naquela altura tinha um papel importante no gabinete de imprensa da Embaixada de Angola&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-5597694128028896298?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/5597694128028896298/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=5597694128028896298' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/5597694128028896298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/5597694128028896298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2007/08/as-visitas-ao-frica.html' title='As Visitas ao &quot;África&quot;'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rrtgts3aKFI/AAAAAAAAAAw/6aGvMFpszIE/s72-c/Profissional+034.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-7624056817124368129</id><published>2007-08-08T16:56:00.000+01:00</published><updated>2007-08-14T17:50:15.960+01:00</updated><title type='text'>O "Pinoneirismo" do "África"</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rrnn_s3aKCI/AAAAAAAAAAY/VVHN44p8cfs/s1600-h/Amigos+024.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5096359534907762722" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rrnn_s3aKCI/AAAAAAAAAAY/VVHN44p8cfs/s320/Amigos+024.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; O "África" foi seguramente pioneiro em muitos aspectos da comunicação social em Portugal. Fomos o primeiro jornal a abandonar o fastidioso modelo "anopiano", em que os jornalistas se aventuravam apenas pelos números e pelos factos. Nunca arriscavam opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós entrávamos pelos números, analisávamos os factos e opinávamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que a África diz respeito, também fomos os primeiros a opinar e abrir as portas aos que estavam interessados noutras vidas para além do seu espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cultura disponibilizámos as páginas do África aos intelectuais africanos e não só: também falávamos dos que escreviam sobre África e registávamos as suas opiniões. Esta fotografia representa o momento em que eu e o Fernando Alves, em 1988, entrevistávamos o Carlos Vale Ferraz, a propósito do lançamento do seu livro, "Soldadó".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que estou com tempo para ir mexendo nos arquivos do "África" aproveitei a oportunidade também para me mostrar a mim próprio e ao Fernando, naqueles tempos de luta feroz pela sobrevivência de um jornal que muitos queriam ver morto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-7624056817124368129?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/7624056817124368129/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=7624056817124368129' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/7624056817124368129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/7624056817124368129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2007/08/o-pinoneirismo-do-frica.html' title='O &quot;Pinoneirismo&quot; do &quot;África&quot;'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rrnn_s3aKCI/AAAAAAAAAAY/VVHN44p8cfs/s72-c/Amigos+024.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-114820841431654757</id><published>2006-05-21T11:24:00.000+01:00</published><updated>2007-08-08T16:50:07.957+01:00</updated><title type='text'>Maputo "by moto"</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1827/1327/1600/C??pia"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1827/1327/400/C%3F%3Fpia%20de%20leston.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Esta fotografia é de 1988 e foi tirada pelo Kok Nam. Eu e o Sérgio Santimano, na moto dele, então fotógrafo da AIM e que me acolheu em casa durante uma viagem que eu fiz a Maputo para fazer a cobertura de uma reunião dos cinco chefes de estado dos PALOP's.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como todas as viagens que elementos do África faziam esta também foi difícil. E sempre pela mesma razão: não havia dinheiro para as despesas, nem sequer para o alojamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse já longíncuo ano de 1988 fui, todavia, recebido com galhardia pelo Sérgio e por todos os colegas da AIM, então dirigida pelo Carlos Cardoso, um verdadeiro militante do jornalismo "engajado", um líder nato que, também sem recursos, conseguia manter em funcionamento uma das poucas agências de notícias africanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito desta viagem recordo-me de um incidente que o tempo ajudou a lembrar com um sorriso, mas que, na altura foi doloroso. Para sair do aeroporto do Maputo era necessário pagar uma taxa de uns quantos dólares - que eu não tinha. Os meus amigos já se tinham ido embora e eu estava rodeado de gente desconhecida. Com a coragem reforçada dirigi-me a um "senhor"compatriota a quem disse quem era e expliquei o meu problema. O "senhor" tratou-me como a um mendigo, emprestou-me a quantia necessária, frisando muito bem que a queria devolvida no dia seguinte no seu escritório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim foi feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este "África" teve muitas destas estórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fim de alguns meses voltei a este blogue para recordar uma amizade - o Sérgio Santimano, que continua a viver entre a Suécia e Moçambique, com a sua mulher, Eva, de quem guardo as mais gratas recordações pela simpatia com que me recebeu em sua casa, sem me conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sérgio passou recentemente por Lisboa, tem uma exposição no Porto e um programa de televisão da RTP África, o "Latitudes" fez com ele uma reportagem que há-de ser exibida um dia destes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a sua passagem por Lisboa falámos daquela minha viagem ao Maputo e, gentilmente, mandou-me a fotografia que a ficou a assinalar. Aqui fica ela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-114820841431654757?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/114820841431654757/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=114820841431654757' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/114820841431654757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/114820841431654757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2006/05/maputo-by-moto.html' title='Maputo &quot;by moto&quot;'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-113311696512472893</id><published>2005-11-27T18:42:00.000Z</published><updated>2005-11-27T18:42:45.140Z</updated><title type='text'>Democracia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O tempo é pouco, mas, de vez em quando, lá folheio os volumes em que tenho o "África" encadernado para, por um lado,me surpreender com o que, com tão poucos meios fazíamos, e, por outro, para descobrir os caminhos do progresso de um Continente aparentemente condenado à miséria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os problemas de há vinte anos são os mesmos de hoje. Alguns deles ampliaram-se e poucos se resolveram.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas não é apenas em África. Em Portugal também. Está tudo na mesma e, por exemplo na Comunicação Social, está pior.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Atentem no que eu escrevia no dia seis de Outubro de 1988, na "DIRECTA":&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Uma das condições indispensáveis à definição das chamadas democracias convencionais é o direito à liberdade de expressão.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Todos os estados que se definem naquele campo fazem questão em afirmar as garantias convenientes a esse direito fundamental.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Portugal assim tem funcionado nos últimos anos. As afirmações sucedem-se e não há quem, querendo demonstrar o contrário, consiga romper a barreira de tabus entretanto erguida.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Para os observadores estrangeiros e para a maioria do público português está demonstrado, não vale a apena sair a terreiro a afirmar dúvidas.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Contudo, o direito à livre expressão está tão limitado como todo o resto. O edifício legal que garante o seu exercício é cada vez mais favorável aos grandes grupos económicos, políticos, de pressão, numa palavra.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;E isto, quando o Estado se afirma por aquilo a que se chama a não intervenção na sociedade.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Essa não intervenção tem significado transferência e abdicação.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Transferência de controlo para os grandes grupos económicos e abdicação das responsabilidades no que diz respeito aos direitos das minorias. Pelo menos no que diz respeito à liberdade de informação.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Liberdade de informação que passa muito pela liberdade de circulação das ideias.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Hoje, em Portugal, é quase impossível um jornal que não esteja tutelado por um grupo económico circular. Por este andar, a opinião portuguesa será cada vez mais a opinião dos grupos que se vão (re)organizando.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;É evidente que eles têm o direito de tentar, mas o Estado tem a obrigação de proteger todos os outros.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dezassete anos volvidos e o panorama é bem mais tenebroso. Em termos de comunicação social vivemos num país da América Latina, nos seus piores tempos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-113311696512472893?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/113311696512472893/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=113311696512472893' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/113311696512472893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/113311696512472893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/11/democracia.html' title='Democracia'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-113131938551421411</id><published>2005-11-06T23:20:00.000Z</published><updated>2005-11-06T23:23:05.526Z</updated><title type='text'>Bispos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Já lá vão quase dois meses que não acrescento nada a este blogue. A dificuldade está na falta de tempo que tenho para ir olhando  as páginas que fomos escrevendo nos sete anos que durou a aventura. O que era importante reproduzir de memória, está feito. Agora, importa salientar a capacidade de intervenção revelada e o modo como utilizávamos um instrumento poderoso, com  era o "África".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É natural que me detenha mais nos textos que eu próprio escrevi - aqueles que assinei, porque os outros já não os consigo identificar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Durante a maior parte do tempo em que o "África" existiu assinei uma coluna com o título de "Directa". Era ali que eu afirmava de forma clara e sucinta o que pensava sobre certas questões.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não resisto à reprodução de uma delas, publicada em 21 de Setembro de 1988:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;«João Paulo II esteve na África Austral.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Na mesma altura em que o chefe da Igreja Católica viajava por terras de África, um bispo português, o arcebispo de Braga, D. Eurico Dias Nogueira, fazia, no Santuário da Penha, em Guimarães, declarações bizarras.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Servindo-se do púlpito, D. Eurico atirou aos fiéis: " a descolonização foi a página mais negra da História quase milenar de Portugal".&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Desconheço se algum dos presentes reagiu.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Também não sei se num santuário as pessoas têm o direito democrático de responder a afirmações tão pesadas como esta.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;E mais esta: Em Angola e Moçambique verifica-se a "ausência total de democracia, pela imposição do regime unipartidário, de inspiração marxista-leninista".&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;D. Eurico foi bispo na Beira (Moçambique) e no Lubango (Angola).&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Desconheço se na Beira se portou como um democrata. No Lubango não. Foi um bispo autoritário, rodeado de luxos e amigo dos ricos. O partido único de então garantia-lhe toda a sorte de privilégios - contra os quais nunca ouvi a sua voz levantar-se, embora, na altura, tivesse toda a elegitimidade para o fazer, já que era cidadão de pleno direito, funcionário do estado novo.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A que propósito vem agora falar de Angola e Moçambique no Santuário da Penha?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Porque não fala da exploração da mão de obra infantil que se processa ali mesmo, debaixo dos seus pés?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Será que o papa, depois da sua viagem a África, não pode pôr a funcionar os mecanismos do partido único que governa a Igreja e determinar que fiquem calados os bispos que não se atrevem a falar das realidades pastorais que os rodeiam?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-113131938551421411?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/113131938551421411/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=113131938551421411' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/113131938551421411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/113131938551421411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/11/bispos.html' title='Bispos'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112881263661862780</id><published>2005-10-09T00:02:00.000+01:00</published><updated>2005-11-06T23:04:46.810Z</updated><title type='text'>Reedição</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Para ir alinhavando parte da estória do "África", sempre que posso vou folheando o dito. Hoje tinha a intenção de contar a minha viagem a Cabo Verde na comitiva de Cavaco Silva, num C-130 para lá e no avião da TAP para cá e em que tive o desgosto de ouvir o então vice-presidente e financiador do PSD, presidente da Portugal Telecom, engº. Luís Todo Bom dizer que o "África " era "uma merda" e não percebia a razão porque eu viajava na comitiva.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era o azedume do PSD, que não entendia a posição do "África" relativamente à inexistência de uma política africana. Era um desabafo de alguém suficientemente medíocre e sectário para não acreditar que alguns anos mais tarde poderia ter que sujeitar-se a prestar contas por actos de gestão perfeitamente danosos para a empresa a que presidia, simplesmente porque o tal passageiro "a mais" se lembrou de mandar executar uma auditoria a um sector da empresa que dependia directamente dele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A estória, todavia, fica para outra vez, porque hoje não resisto à transcrição de uma crónica que assinei num jornal de 28.05.86 , cujo conteúdo se mantém totalmente actual.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Directa&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este jornal é diferente. Não estou a dizer que é melhor ou pior. Aqui reflectimos ainda o espírito das palavras que servem para galardoar lutas velhas contra a repressão da informação - entre outras coisas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este jornal é ponto de encontro para muita gente - que ainda acredita. Gente que se reúne em "tascas" operárias desta Lisboa que é, cada vez mais, um mundo novo, que a mim, particularmente, se abre à descoberta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Neste jornal, e em Lisboa, continua a ser possível falar de África, sonhar com África, mas sem os limites apertados, definidos por gente que, em nome de África, transportou para África ideias e práticas das cidades que já não têm "tascas" e tudo industrializaram.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Neste jornal ainda nascem lágrimas livres em olhos de gente que circula por aí, à procura do espaço aberto, do cheiro a terra molhada,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Rolam ainda algumas que já não são de saudade, mas de raiva, pela esperança perdida, à vista das raízes desenterradas, sujeitas ao frio, à chuva e ao calor. Há lágrimas que choram a cor perdida das tardes de cacimbo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Umas e outras são, contudo, determinação - em ficar, de raízes à mostra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Neste jornal não há corredores alcatifados, segredos de bastidores. Anulou-se a gravata, decretou-se o amor como lei fundamental da vida - aqui fala-se com o coração.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por isso somos assim, agressivos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por isso, somos assim, abertos à ternura de palavras como irmão, solidariedade, terra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por isso, podemos dizer aos homens das gravatas, que pisam chãos alcatifados e sussurram nas esquinas intrigas de poder, que parte da verdade está connosco.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por isso, digo hoje - também em nome dos que por aqui passam - que os problemas com que parte de África se debate se resolvem com os filhos de África que por aqui andam a penar competências sem paixão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Também por isso me atrevo a dizer que as dependências forjadas em alianças compreensíveis se resolvem com as alianças da terra, ditadas pelo coração.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A falta de amor está a queimar África - digo eu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sei que na terra queimada, que é já parte de África, me vão classificar com palavras cheias de "ismos".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que importa! Nenhum dos que me classifica pode respirar o ar de liberdade e confraternização de que eu continuo a desfrutar, em chão sem alcatifa. Continuo a não usar gravata e a não gostar de corredores, pelo que continuo a poder dizer aos dirigentes de África que melhor fariam se apelassem aos africanos que por aqui andam a derramar lágrimas e competência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eles valem bem mais do que os batalhões de estrangeiros que vão para África derramar racismo, paternalismo e arrogância.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112881263661862780?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112881263661862780/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112881263661862780' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112881263661862780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112881263661862780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/10/reedio.html' title='Reedição'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112829910755753172</id><published>2005-10-03T01:25:00.000+01:00</published><updated>2005-10-03T01:25:07.563+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/109/8164/640/Antnio%20Gonalves.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:1px solid #000000; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/109/8164/320/Antnio%20Gonalves.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Olhem para ele: todo janota, a debitar texto sobre a guerra de Angola.&amp;nbsp;&lt;a href='http://picasa.google.com/blogger/' target='ext'&gt;&lt;img src='http://photos1.blogger.com/pbp.gif' alt='Posted by Picasa' border='0' style='border:0px;padding:0px;background:transparent;' align='absmiddle'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112829910755753172?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112829910755753172/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112829910755753172' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112829910755753172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112829910755753172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/10/olhem-para-ele-todo-janota-debitar.html' title=''/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112829899209421086</id><published>2005-10-03T01:23:00.000+01:00</published><updated>2005-10-03T01:23:12.096+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/109/8164/640/Jill%20Jollisse.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:1px solid #000000; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/109/8164/320/Jill%20Jollisse.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Promessa cumprida: Esta � a reprodu��o poss�vel da cr�nica da Jill em Mar�o de 88, a prop�sito de uma reportagem de guerra em Angola.&amp;nbsp;&lt;a href='http://picasa.google.com/blogger/' target='ext'&gt;&lt;img src='http://photos1.blogger.com/pbp.gif' alt='Posted by Picasa' border='0' style='border:0px;padding:0px;background:transparent;' align='absmiddle'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112829899209421086?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112829899209421086/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112829899209421086' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112829899209421086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112829899209421086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/10/promessa-cumprida-esta-reproduo.html' title=''/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112825803740230464</id><published>2005-10-02T14:00:00.000+01:00</published><updated>2005-10-02T14:00:37.423+01:00</updated><title type='text'>Cuito-Cuanavale</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vivia-se uma fase de impasse na guerra. De um lado, as forças cubanas, do outro, as sul-africanas. A imprensa internacional falava das tropas do MPLA e da UNITA e da cidade do Kuito-Kuanavale.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As cores das tropas, enfim, mas a cidade...meu Deus. Santa ignorância! Havia, de facto, meia dúzia de casas ao longo de uma rua. Em tempos eram lojas de comerciantes que faziam o seu negócio permutando vinho, cobertores, bicicletas, aspirinas, injecções de penincelina, e tudo o que se pode imaginar, pelos cereais (sobretudo milho) que se cultivava naquela zona. E Havia também uma Escola. Mas estava tudo em ruínas, com os adobes à mostra, a maior parte sem telhados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ali é o ponto de encontro de dois rios , o Kuito e o Kanavale e os militares do MPLA tinham traçado ali uma linha, que, uma vez rompida, permitiria à UNITA infiltrar mais tropas no Bié e daí destabilizar completamente todo o Planalto central, afectando ainda mais o Caminho Ferro de Benguela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A eventual criação de condições para instalar as tropas da UNITA no Bié, donde eram naturais grande parte dos seus dirigentes, permitir-lhes-ia, perante a comunidade internacional, romper com o anátema de terem a sua base principal fora do território angolano, na faixa de Caprivi, sob a protecção sul-africana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em Março (de 8 a 19) de 1988, eu e a fotógrafa do "África", a Ana Consolado, partimos para Luanda, integrados num grupo de jornalistaas que ia visitar a frente de batalha. A viagem de Luanda para o Kuito foi feita num avião Antonov, com uma tripulação angolana, muito jovem. Recordo o nome do seu comandante, o Praia. Essa mesma tripulação, fazendo a mesma viagem, seguindo a mesma rota, na semana seguinte, foi abatida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Durante aqueles dias de Março viajámos nos mais diversos transportes, desde o Antonov a um blindado atolhado de granadas de RPG7, com fios descarnados à vista e uma temperatura interior incrível. Também utilizámos um helicóptero MI17, com um tambor de combustível suplente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fizémos a espiral da morte por várias vezes num "Casa", um avião que os angolanos tinham comprado a Espanha e que era um produto da cooperação espanhola com a Indonésia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não faltaram emoções. Quando estávamos na zona de confluência dos dois rios, com uma ponte parcialmente destruída, os sul-africanos bombardearam a zona com os célebres canhões G-5.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As reacções a este incidente foram espantosas. O correspondente da Agência Nova China ficou, primeiro meio paralisado, depois vomitou-se todo, de amarelo ficou verde, o Patrick Reina, da AP, deixou cair todo o equipamento ao rio, o Luís Vasconcelos (fotógrafo) ficou para trás à espera de apanhar qualquer coisa de diferente. A Ana Consolado empurrava toda a gente para dentro do blindado. O major que nos acompanhava gritava : "arranca com essa merda!" e a Ana opôs-se! Ainda faltava o Luís.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu tinha uma das máquinas fotográficas da Ana nas mãos e consegui disparar a última película que o filme ainda tinha. Agarrei  o cogumelo de terra e água que se formou depois do impacto da primeira granada. Não serviu para  nada - não dava imagem para o jornal. Está no arquivo apenas como recordação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesta viagem houve vários incidentes. Quando chegámos ao Kuito misturaram-nos com um grupo de jornalistas dos chamados países "socialistas". Objectivos diferentes, visões opostas, conflitos óbvios. Exigimos não viajar com eles. Foi atendida a nossa exigência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Noutra ocasião puseram-nos uns prisioneiros da UNITA à frente para lhes fazermos perguntas. O pessoal ficou incomodado e lá conseguimos explicar que "até podíamos ler um relatório da polícia, mas não faziamos perguntas a homens que não eram livres..." silêncio pesado na sala, mas a posição, assumida por todo o grupo, foi compreendida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na noite que passámos no Kuito, numa antiga pensão dos tempos coloniais, transformada quase em casa de horrores - os cubanos é que mandavam e, por conseguinte, faziam os possíveis por nos transformar a vida no chamado "inferno"- havia de tudo: pulgas, percevejos, um cheiro pestilento. E não havia água. A Ana e a Jill Jolliffe, que também fazia parte do grupo, protestaram o mais que puderam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pela minha parte assumi que estava em guerra. Podia, por isso, acontecer ainda bem pior.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De repente, olho para  o lado, porque me chega um odor forte a Chanel 5. A boa da Jill tinha apanhado um cobertor mais ou menos limpo e, para se proteger da bicharada, enrolou-se nele. Para se proteger do cheiro despejou quase inteiro um frasco do dito perfume. Enfim... a noite acabou (começou) em gargalhada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No final desta viagem, de que, evidentemente, tenho outros episódios para contar, a Jill e o António Gonçalves - agora meu companheiro no "Africandar"- escreveram duas belas crónicas a resumir as suas emoções durante a viagem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já as scanarizei e tudo, mas falta-me o resto da ciência e habilidade para as reproduzir aqui. Vou tentar aprender.  Prometo republicá - las um dia destes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112825803740230464?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112825803740230464/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112825803740230464' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112825803740230464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112825803740230464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/10/cuito-cuanavale.html' title='Cuito-Cuanavale'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112777153865060637</id><published>2005-09-26T22:50:00.000+01:00</published><updated>2005-09-26T22:52:18.666+01:00</updated><title type='text'>Sobrevivência/Morte</title><content type='html'>Não deixa de ser curioso que tenha dado ao escrito anterior o título de "sobrevivência". Podia tê-lo alterado, mas prefiro que ele fique a asinalar a minha intenção de relatar o esforço inaudito, sobrehumano que eu fiz para que aquele jornal sobrevivesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia dias que me fechava no gabinete de que me servia para, deitando-mo no chão e colocando os pés em cima da secretária, sentisse algum alívio da dor que sentia no peito. Da qual não falava a ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha uma equipa maravilhosa, que confiava em mim e desempenhava o seu papel a contento. Ninguém protestava porque tinha salários em atraso, porque era necessário fazer um forcing até às tantas para fechar o jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior parte das pessoas que comigo trabalhou naquele projecto entendia-o como uma espécie de "missão".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A jovem administradora, quando ficava com as contas a zero, não se cansava de me perguntar : "e agora, vamos fazer o quê?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tem calma", era a resposta, mesmo quando sabia que as soluções estavam longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a gente sabia quando eu viajava. E...se viajava, havia alguma coisa em vista. O povo ficava à espera e...sempre sabia da minha chegada, porque, na escada de acesso ao primeiro andar do nº.105 da Possidónio da Silva, ficava o cheiro da minha água de colónia - a mesma que ainda hoje uso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Normalmente, as notícias eram boas. Para eles, bastava um olhar para a minha cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei a ir e voltar, no mesmo dia, à Cidade da Praia. Naquele tempo não era fácil!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que um dia percebi que não valia a pena continuar a lutar pela sobrevivência de um projecto que toda a gente queria morto - mesmo aqueles a quem mais interessava. Por isso, o matei. Com as minhas próprias mãos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112777153865060637?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112777153865060637/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112777153865060637' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112777153865060637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112777153865060637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/09/sobrevivnciamorte.html' title='Sobrevivência/Morte'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112764874655604798</id><published>2005-09-25T12:46:00.000+01:00</published><updated>2005-09-25T19:38:21.613+01:00</updated><title type='text'>A Sobrevivência</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Pelo que atrás fica narrado está claro o cenário: o jornal "África" funcionava numa aflição só. A mim cabia-me a responsabilidade de o dirigir, pagá-lo e - já agora - lê-lo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As receitas eram provenientes da publicidade, mas as agências não arriscavam no " África". Houve até um caso com uma das grandes agências da altura e que geria a conta de publicidade de uma empresa que nos apoiava com alguma consistência. Pura e simplesmente, a agência não nos pagava.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mandei para contencioso, tribunal, essas coisas. O pessoal chamou-me louco, mas eles pagaram para não perderem a confiança do mercado. É verdade que nunca mais nos mandaram um anúncio. Nesse domínio, a conspiração também era aberta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para além da publicidade que íamos conseguindo com o estratagema dos cadernos especiais sobre isto, sobre aquilo - uma maneira de nos enquadrarmos na onda medíocre dos gestores nacionais, havia um acordo com Cabo Verde, já descrito e um outro, muito periclitante, que funcionava umas vezes e outras não, com Angola.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um parêntesis para voltar a dizer a Carlos Veiga e aos seus brilhantes conselheiros que os apoios cabo-verdianos não passaram de uma gota de água.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os verdadeiros apoios vinham de Angola, mas sempre de modo a que não nos deixavam respirar. Eram sempre para pagar o passivo. Em sete anos de actividade, o "África" nunca teve a mínima possibilidade de investir, de planear o que quer que fosse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma pequena estória a este propósito: a certa altura eu precisava de falar urgentemente com uma das pessoas que geria este apoio e mandei-lhe uma mensagem por uma amigia que foi a Luanda. Resposta: "não me importo de falar com o teu amigo, se dormires comigo..."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Consegui, por causa desta canalhice sem nome, mudar o interlocutor, mas as respostas eram sempre pouco claras, ou não existiam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Finalmente, em 1991 depois de longas conversas com alguns responsáveis angolanos, foi-me "imposta" a ideia de transformar o "África" numa revista especialmente dirigida à comunidade angolana em Portugal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Resisti à ideia, mas percebi a intenção. Desse modo anulavam o carácter marcadamente independente do Jornal e sujeitavam-nos a uma dependência clara.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todavia, em desespero de causa( havia as pessoas...) acabei por aceitar a ideia, mas, mesmo assim, os tais apoios seguros nunca chegaram. Até que, em Maio daquele ano, telefonei para Luanda, dizendo: ou se concretizavam os projectos, ou eu fechava o jornal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do lado de lá voltaram as promessas, mas no dia 31 de Maio o jornal fechou mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes disso liquidei todas as dívidas existentes. Apenas fiquei a dever alguns impostos ao Estado, na esperança de que o trespasse das instalações permitisse liquidá-los.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais uma vez fui apelidado de louco. Ninguém fazia isso. As empresas, quando fechavam pagavam ao Estado e ficavam a dever aos fornecedores.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda me lembro do diálogo com o dr. Rudolfo Crespo, então gestor da Imprinter, a Gráfica onde o "África " era impresso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Oh! Leston, você está a dizer-me que vem fazer contas para fechar o jornal?... Nunca na minha vida tal aconteceu...Sempre que alguém fecha um jornal, esquece-se de nos pagar..."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O resultado foi que, de repente, corri o risco de ficar sem casa e aquelas coisas todas que fazem parte da nossa vida e que sempre custam a ganhar a quem tem de trabalhar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Instalou-se a crise do Cavaco e as instalações, cujo trespasse valia na altura 10 mil contos, acabaram por ser passadas a troco do pagamento das dívidas ao Estado e à Segurança Social.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E agora que a estória dos financiamentos está contada e já se sabem as razões por que fechou o África, vou abri espaço para falar das coisas que fizémos, das pessoas que por lá passaram. Vão ver que há razões de sobra para ter saudades daquele projecto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112764874655604798?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112764874655604798/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112764874655604798' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112764874655604798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112764874655604798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/09/sobrevivncia.html' title='A Sobrevivência'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112704290109439442</id><published>2005-09-18T23:45:00.000+01:00</published><updated>2005-09-18T23:44:55.023+01:00</updated><title type='text'>As Tentativas Espanholas</title><content type='html'>Já aqui referi que tentei apoios espanhóis para o "África", a propósito do incidente com o Eugénio Inocêncio, o fato os sapatos e o resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A certa altura foi visível que Espanha tentava substituir, nomeadamente em Angola, Portugal. Afinal também não era difícil. Felipe Gonzalez procurava, com inteligência, parceiros que lhe abrissem possibilidades em África. Durante a visita de Pedro Pires a Madrid, em Fevereiro de 85, essa intenção ficou clara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal tentava-se, por todas as formas, eliminar o "África", começando pelas distribuidoras, passando pelos postos de venda que o escondiam por forma a não ser visto. As autoridades com alguma obrigação de apoiar o projecto, assobiavam para o lado. O jornal era bom porque inspirava uma corrente de informação a que bastava acrescentar ou tirar pequenos pormenores. Havia mesmo gente que plagiava textos nossos, virgula por vírgula, só o nome do autor mudava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os apoios africanos dependiam muito das próprias concepções de informação. Apoio para eles significava a possibilidade de manipular e eu não abria mão. Lembro-me, inclusivé, de alguns episódios curiosos: gente notável da redacção que vinha quase solicitar-me uma intervenção nos textos, receosos de que alguma coisa pudesse prejudicar a via negocial. A todos respondi sempre da mesma forma: ao convidá-los tinham a minha confiança, tudo quanto escrevessem era da responsabilidade deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, o jornal tinha de se pagar; o grupo de profissionais que dependia exclusivamente das receitas era importante e eu tratava de me mexer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falou-se na possibilidade de um grupo de empresários madrilenos estar interessado na possibilidade de nos apoiar e aí fui eu. Jantar  com uma personalidade amiga de Felipe Gonzalez, hotel marcado numa das transversais da Gran Via. Oito horas da noite telefonei. "Jantar? Ainda é cedo. Eu depois passo aí" - disse a figura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onze horas da noite, apareceu o homem, um senhor. Conduziu-me até um restaurante fora do centro, com uma vista esplendorosa sobre a cidade e, enquanto esperávamos pelo jantar foi bebendo Gin tónico: mais de metade do copo com gin e um pouquito de água tónica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jantámos. Falámos e ele demonstrou o mais profundo espanto pela atitude das autoridades portuguesas, recusando o apoio a um jornal que obviamente era um instrumento poderoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha, claramente, pensado na possibilidade de mobilizar apoios para o "África", mas chegou à conclusão que tal não fazia sentido. Deu-me o exemplo do que eles,  espanhóis, faziam com a América Latina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do jantar, para aí umas três da manhã, o meu anfitrião conduziu-me a alta velocidade até  ao meu hotel. Na despedida ficou o lamento por uma recusa que era uma atitude de inteligência - dizia ele. Um apoio espanhol a um jornal português dedicado a África, naquela altura, abria a possibilidade de diversos conflitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei a Lisboa no dia seguinte sem sequer o esboço de uma boa notícia para a minha gente. Todos o perceberam sem a necessidade de grandes conversas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112704290109439442?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112704290109439442/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112704290109439442' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112704290109439442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112704290109439442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/09/as-tentativas-espanholas.html' title='As Tentativas Espanholas'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112673624758990794</id><published>2005-09-14T23:15:00.000+01:00</published><updated>2005-09-14T23:17:27.596+01:00</updated><title type='text'>"Um Homem de Mãos Limpas"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Como se deve imaginar, a Redacção do jornal "África", pela influência que ele desenvolvia, sobretudo nos territórios africanos que falavam português, sofria inúmeras pressões. Todavia, a equipa era coesa e a linha editorial era bem entendida. Não podíamos, em nenhuma circunstância, confundir-nos com um jornal local, nacional. Nós tínhamos uma visão global e mesmo quando criticávamos aspectos  das realidades nacionais - o que acontecia muitas vezes - não o fazíamos com a intenção de interferir no dia-a-dia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As negociações para o apoio ao "África" desenvolviam-se a vários níveis, com vários interlocutores, algumas das quais já não precisavam da minha presença. A minha condição era a da não interferência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Numa das minhas prolongadas  e didíceis viagens a Luanda - é um pouco difícil precisar as datas - recebi um telefonema de Cabo Verde. Um amigo, que fazia parte do grupo de pressão para viabilizar o projecto "África" perguntava-me se já tinha lido o último número do jornal de que eu era director. Que não! O jornal chegava a Luanda sempre uns dias mais tarde e, portanto, não sabia o conteúdo. Era pena - dizia-me a voz amiga, porque com um texto cujo título era, mais ou menos "Angola precisa de um Homem de Mãos Limpas"... não valia a pena continuar a conversar com ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O texto eliminava Eduardo dos Santos da cena política, sugeria o mesmo em relação a Savimbi e promovia Manuel Lima.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fiquei estarrecido quando li.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por todas as razões: porque Manuel Lima era um desconhecido, embora tivesse desenvolvido uma intensa campanha de promoção em Lisboa, apelando ao seu papel de "comandante do exército de libertação de Angola", uma ficção da sua cabeça e porque o nosso interlocutor era Eduardo dos Santos. O Jornal "África" era claramente anti - savimbista.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O texto tinha sido cozinhado por José Eduardo Agualusa, um jovem com talento para a escrita, mas com mais talento ainda para a intriga e para a mentira. Adepto da Unita, amigo do chamado médico de Savimbi, Fernando Morgado, abusou da confiança de João Van Dunem, que se distraiu enquanto eu estava em Luanda. Quando voltei a Lisboa tive que reorganizar a Redacção, mas as negociações, quase concluídas , para um apoio ao "África", com a dignidade que eu sempre exigira estavam comprometidas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112673624758990794?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112673624758990794/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112673624758990794' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112673624758990794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112673624758990794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/09/um-homem-de-mos-limpas.html' title='&quot;Um Homem de Mãos Limpas&quot;'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112576824970269356</id><published>2005-09-03T18:22:00.000+01:00</published><updated>2005-09-03T20:11:14.090+01:00</updated><title type='text'>Estratégias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ao referir especificamente o nº 14 do "África Jornal" faço-o com vários objectivos, o mais importante dos quais não é o de dizer, como o outro, "paizinho já sou ministro". A direcção do jornal era para mim, do ponto de vista formal, o menos importante. O que me interessava era tê-lo ao serviço de uma estratégia inteligente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu tinha a estratégia e precisava de apoios para ela. Em Portugal era (é) o que se sab(e)ia: ninguém vai além do seu quintal: um jornal sem tutela é um risco : "quem é este gajo, com ideias globais de informação, a querer fazer de um jornal o elo de ligação entre o Norte e o Sul, anti-soviético e anti-americano, a favor das independências mas contra quem as governa, defendendo Cabo Verde como o único território cuja independência deu vantagens ao seu povo...?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só pode ser agente da CIA - diziam alguns. Do KGB - diziam outros. A este propósito, o Fernando Alves, que assinava uma crónica fabulosa com o título genérico Bo(u)é de Sede (é que ele escrevia com o, mas, de facto é com u) chegou a escrever mais ou menos: "que raio ...mandem lá o cheque...)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E a estratégia era simples. Não contava com Portugal, não apenas porque, do ponto de vista político, não dava confiança, mas também porque os políticos e empresários portugueses entendiam que a defesa dos seus chamados interesses em África passavam pela crítica sistemática ao que lá se passava e pelo apoio a tudo quanto fosse oposição. O neo-colonialismo era uma tentação. O estabelecimento de relações de igualdade eram ( e ainda são) uma miragem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em Cabo Verde encontrei a inteligência necessária à compreensão do meu projecto. O meu interlocutor foi sempre Renato Cardoso. A primeira vez que falei com Pedro Pires foi quando me fui despedir dele, no final do meu contrato como correspondente da ANOP. A segunda, foi em Madrid, em Fevereiro de 1985.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aí falámos do projecto "África Jornal" e da urgência em arranjar apoios para o transformar rapidamente num quinzenário. Nessa altura, manifestou dúvidas quanto ao objectivo do semanário, dúvidas que sempre manteve.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era ( e é) um espírito avisado, cauteloso e, embora não tendo experiência de gestão de jornais, avaliava bem as dificuldades de um jornal com aquelas características com uma periodicidade semanal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No essencial, a nossa conversa de Madrid ractificou o interesse de Cabo Verde no apoio a um jornal com as características do "África Jornal", virado para a defesa dos interesses africanos, numa tentativa de colocar o Continente na rota da comunicação internacional. Com um especial interesse: o apoio à luta pela Independência da Namíbia e ao fim da guerra em Angola.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nessa base, como o governo de Luanda era bombardeado todos os dias por uma comunicação social simpatizante da UNITA e de Savimbi, pró-americana e anti-MPLA, o nosso jornal defenderia, não a política interna do MPLA, mas a estratégia de conversações multilaterais para o fim da guerra, a independência da Namíbia e tudo o que lhe estava associado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nessa sequência, fomos o primeiro jornal a defender a retirada das tropas cubanas de Angola, como contrapartida à Independência da Namíbia. Esta era também uma ideia cabo-verdiana, que tinha sido defendida por Pedro Pires junto de Fidel de Castro, durante uma semana que o Primeiro Ministro caboverdiano passou em Havana, com uma equipa de que fazia parte Renato Cardoso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Castro apreciou particularmente as ideias de Pires e eu acredito que aceitou a ideia da retirada depois de ter ouvido a posição cabo-verdiana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O apoio cabo-verdiano passaria pela publicidade de empresas públicas e pelo financiamento directo possível, sempre com a ideia de mobilizar apoios angolanos que compensariam os avanços da Praia. Na prática, o apoio governamental cabo-verdiano seria reposto, assim que Luanda percebesse o interesse de nos apoiar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao longo dos tempos, também Aristides Pereira desenvolveu contactos com este objectivo. Todavia, algumas coisas não correram bem, porque eu não quis, nunca, sacrificar a ideia base daquele jornal: éramos independentes, não havia censura e toda a gente que escrevia conhecia os objectivos e a linha editorial do "África Jornal". Não foi bem assim...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112576824970269356?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112576824970269356/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112576824970269356' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112576824970269356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112576824970269356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/09/estratgias.html' title='Estratégias'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112567076141797310</id><published>2005-09-02T15:16:00.000+01:00</published><updated>2005-09-02T15:26:26.716+01:00</updated><title type='text'>O 14º Número do "África Jornal"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O nº13 do "África Jornal" tinha uma reportagem de um visita de estado de Pedro Pires, então primeiro-ministro de Cabo Verde, a Espanha. Acompanhámos a par e passo a viagem. A intenção correspondia a uma nova estratégia: queríamos que os dirigentes africanos dos Cinco sentissem que também podiam ter um acompanhamento por parte da comunicação social.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembro-me bem que Felipe Gonzalez fez uma conferência de imprensa conjunta com Pedro Pires e se surpreendeu com o tipo de perguntas que lhe foram feitas pela nossa equipa (eu e o João Van Dunem). Mas percebeu e reagiu com simpatia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No regresso de Espanha tinha o Xavier decidido a abandonar o projecto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O nº14, de 3 de Março de 1985, já tem no cabeçalho o meu nome como director e o de João Van Dunem, como chefe de redacção.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vale a pena contar alguns dos factos que medeiam o meu regresso de Cabo Verde em Setembro de 1984, no final do meu contrato como correspondente na Cidade da Praia, onde fui substituído pelo Rui Parracho, que, mais tarde, se confessou surpreendido com a minha recepção.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na ANOP, então dirigida pelo Jaime Antunes, havia a ideia de que eu era "um fulano irrascível", muito ligado, por razões sentimentais, aos africanos. Afinal, não era nada "intratável"e o Rui foi tratado como VIP e nasceu, de resto, entre nós, uma forte amizade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando cheguei a Lisboa estava convencido de que a minha experiência em África e a rede de contactos que, entretanto, tinha criado, poderiam ser úteis à agência. Fazia todo sentido integrar a secção de África e, sobretudo, não ficar amarrado a uma secretária, a traduzir os telexe's das agências internacionais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Recomecei a trabalhar em Outubro e desesperava-me a tentativa de me esquecerem. O director, Jaime Antunes, que tinha montado na ANOP uma secção de jornalismo económico, a primeira, que depois transferiu para o seu "Semanário Económico" em peso, nunca quis falar comigo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dia encontrámo-nos num corredor e eu disse-lhe que era urgente falarmos. Encostou um pé à parede, em atitude paciente: "Diz!..."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Virei-lhe as costas e, nessa mesma tarde, aceitei a porcaria de uma indemnização que a ANOP estava dar a quem quisesse sair.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todos os meus colegas ficaram admirados - em Portugal ninguém se demite.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No dia seguinte estava em Carnachide para dar alguma força ao "África Jornal". Na prática, estava desempregado, porque o jornal não podia pagar-me salário. Desempregado mas cheio de força para o "meu projecto".E curiosidade acerca da ANOP. Jaime Antunes era o submarino, foi ele que acabou com a agência, juntando-a à NP.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A posição dele percebi-a na altura. Houve outras, todavia, que só mais tarde entendi, como por exemplo as dos membros das direcções técnica, financeira e comercial.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112567076141797310?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112567076141797310/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112567076141797310' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112567076141797310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112567076141797310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/09/o-14-nmero-do-frica-jornal.html' title='O 14º Número do &quot;África Jornal&quot;'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112539322889037317</id><published>2005-08-30T10:15:00.000+01:00</published><updated>2005-08-30T10:13:48.906+01:00</updated><title type='text'>As Mudanças</title><content type='html'>Os dois primeiros números do "África Jornal" tinham na ficha técnica Xavier de Figueiredo como director. A partir do terceiro número passou a aparecer igualmente o meu nome - como director-adjunto. Por várias razões, a mais ponderosa das quais era o facto de, estando em Cabo Verde e em contacto muito estreito com as diversas realidades africanas,  não fazia sentido que o meu envolvimento não correspondesse à atribuição de responsabilidades públicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta dupla manteve-se até ao décimo terceiro número, altura em que o Xavier, por razões dele, decidiu abandonar o projecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o primeiro ano passaram pelas páginas do jornal gente de todos os quadrantes. Entre os jornalistas mais assíduos contam-se os de Mário Crespo, Jaime Antunes, Solano de Almeida, Fernando Magalhães, Fernando Alves, João Van Dunem. Entre as colaborações destacam-se as de Gomes Vital (Renato Cardoso), Vitor Sá Machado, Miguel Anacoreta Correia, entre outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir do 14º número assumi a direcção e nomeei como chefe de redacção o João Van Dunem. Para as pessoas que me conheciam eram só surpresas: primeiro, estranharam que eu me tivesse aliado ao Xavier, já, que ideologicamente, tínhamos poucas ou nenhumas afinididades, além de que ele mantinha ligações com gente da UNITA, nomeadamente com Savimbi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o João, que eu conhecia mal, a questão era outra: irmão de José Van Dunem, o João, tendo o MPLA como referência, estava do outro lado, já que eu sempre me afirmei como anti-nitista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, nada disso impediu que coinstruíssemos uma forte relação de amizade e, durante alguns anos - até ele ir para a BBC em Londres - tivessemos aguentado um projecto que todos os dias parecia que ia desabar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112539322889037317?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112539322889037317/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112539322889037317' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112539322889037317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112539322889037317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/08/as-mudanas.html' title='As Mudanças'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112495831233245251</id><published>2005-08-25T09:46:00.000+01:00</published><updated>2005-08-28T07:03:44.350+01:00</updated><title type='text'>(Re)Começo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Feita a pausa das férias e do entusiasmo próprio do início de um novo projecto com velhos companheiros - o "Africandar.blogspot.com", voltemos então à história do "África" que eu prometi.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tal como já disse, o Xavier de Figueiredo resolveu arrancar com o projecto - um projectinho, à sua maneira - que me desculpe o Xavier ( ele sabe que eu não digo isto por mal).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pior ainda, na hora sentiu que precisava da minha ajuda e telefonou-me para Cabo Verde. Estávamos no príncipio de 1984. Precisei de algum tempo para reflectir, mas decidi ajudar, mesmo lá longe. Afinal era o meu projecto, sendo também dele, claro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O primeiro número do "África Jornal" tem algumas coisas interessantes. Por exemplo, um texto do Renato Cardoso, assinado com um pseudónimo que ele utilizava de vez em quando (Gomes Vital), e onde era explicada de forma clara a estratégia de política externa dos chamados Cinco Países de Língua Oficial Portuguesa, a propósito de uma proposta da diplomacia portuguesa feita por Jaime Gama: o chamado diálogo tri-continental.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesse primeiro número do "África Jornal" assinei um texto de opinião sobre os direitos humanos em Cabo Verde, cujo primeiro parágrafo cito:" Cabo Verde inverteu os argumentos tradicionais em relação às liberdades públicas em África. Enquanto a maioria dos teóricos e alguns dos políticos que falam sobre África tentam provar que as liberdades públicas nos países africanos são um risco para a unidade nacional, um luxo dos países ricos, o poder cabo-verdiano desenvolve a tese de que o exercício de uma certa legalidade, a existência de garantias para os cidadãos são fundamento da unidade nacional, garantia de um processo de desenvolvimento".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O jornal tem a data de O1.02.84&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todavia, no conjunto, o jornal estava desiquilibrado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Começou por ser mensal, sem dia certo de saída, o que me irritava. Um jornal não pode ser um calhário. Deve assumir um compromisso com os seus leitores e cumpri-lo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Grave: não tinha apoios financeiros, não tinha distribuição garantida e apareceu como o parente pobre a pedir um lugarzito nas bancas, cheias de jornais gordos que empurravam todos os outros para o lado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De qualquer forma, o Xavier foi publicando o "África Jornal", cujas primeiras instalações foram numa sala de um prédio em Carnaxide, perto do Hospital de Santa Cruz. Uma sala virada a Norte e com uma parede de terra frente às janelas, por onde, obviamente, não entrava o Sol.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nas minhas férias desse ano conversámos e acertámos que eu continuaria na ANOP, mesmo depois de voltar de Cabo Verde. Também ficou claro que eu não apreciava particularmente um sócio que ele tinha incluído no projecto. Por causa das suas ligações instituicionais de caracter partidário.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu tinha posições políticas claras, determinadas por opções de carácter ideológio e filosófico, mas era independente. Toda a gente ligada ao meio sabia que eu tinha sido dirigente do MPLA, que tinha rompido com a clique entretanto chegada ao poder em Angola, mas também se sabia que eu era anti-Savimbista, o que, na prática, se confundia com o ser anti-Unita , porque a Unita sem Savimbi não existia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Também era claro para mim que a guerra em Angola não tinha apenas um culpado, mas ela era, para Savimbi, a estratégia de tomada do poder. Não tinha outra.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112495831233245251?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112495831233245251/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112495831233245251' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112495831233245251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112495831233245251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/08/recomeo.html' title='(Re)Começo'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112474903692039054</id><published>2005-08-22T23:17:00.000+01:00</published><updated>2005-08-23T09:34:59.816+01:00</updated><title type='text'>"AFRICANDAR"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os irmãos mais novos são assim: crescem e chegam ao despautério de nos desafiar. E o mais grave é que, às vezes, nem reparamos nos desafios. Assim aconteceu neste 1º de Agosto. O Fernando Alves, meu companheiro , meu avil desde há anos, meu camarada de armas em ponderosas batalhas de letras - letras homéricas - desafiou-me a um blogue. Que "as minhas conversas lhe fazem "b(o)ué de sede". E só hoje reparei no desafio dele. A minha resposta parece tardia, mas, de facto, ela é muito pronta, a seguir ao momento da leitura&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Luís Sequeira , que não conheço, mas cujo blogue (O Abnegado) frequento com o maior prazer, dispôe-se a esperar pelo nosso blog, blog, blog... "AFRICANDAR"Sempre foste bom para os títulos, Fernando (sabes que consigo sempre descobrir a tua crónica no DN naquela emaranhado de critérios da página da Net pelo título?)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois então, está resolvido. Africandemos e convoquemos os restantes membros da Tribo a africandar connosco. Esperamos que eles se apresentem. Enquanto isso, vou abrindo o blogue&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Teremos, de certeza, uma leitora simpática, Lyra - que no mesmo 1º de Agosto escreveu no Romeiro esta simpatia: "gosto de ler estas memórias". Pois, eu também gosto de ler a "Barca de Lyra".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;PS - Já está "no ar": africandar.blogspot.com&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Espero que esta seja mais uma viagem inesquecível. O  primeiro post fala do meu fascínio pelos combóios do CFB. Quem quer subir?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112474903692039054?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112474903692039054/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112474903692039054' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112474903692039054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112474903692039054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/08/africandar.html' title='&quot;AFRICANDAR&quot;'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112438604077317106</id><published>2005-08-18T18:25:00.000+01:00</published><updated>2005-08-18T18:27:20.783+01:00</updated><title type='text'>ANOP versus NP</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A ideia que de longe eu tinha sobre a eventualidade da existência de dois grupos, na ANOP, um a favor da extinção e outro contra, acabou por se revelar falsa. Na verdade, a partir do momento em que a NP foi lançada, o grupo dos que estavam do lado do projecto ANOP foi reduzindo e assitiu-se a cenas verdadeiramente degradantes.&lt;br /&gt;A certa altura fiquei com a sensação de estar sózinho. Pelo menos no sentido em que lutava, em que me manifestava.  E mesmo sózinho, tinha uma estratégia.&lt;br /&gt;Um dos objectivos claros da NP era tentar abrir delegações em África, para, dessa maneira, eliminar um dos principais trunfos da ANOP. Afinal, era a partir de África que Portugal acrescentava alguma coisa  à corrente informativa internacional.&lt;br /&gt;O Governo estava claramente do lado da NP e tentou mesmo transferir a aparente "guerra" entre ANOP e NP para os Palop's, começando por Cabo Verde, considerado o regime mais moderado e também aquele donde, afinal, saíam notícias verdadeiramente novas.&lt;br /&gt;Numa operação política pouco apreciada na Cidade da Praia, José Alfaia forçou uma visita a Cabo Verde, onde ia explicar a criação de uma outra agência. Num jantar protocolar, com os habituais discursos, Corsino Fortes, o secretário de estado  cabo-verdiano da comunicação social pôs, com elegância (Corsino é um cultor da língua portuguesa), os pontos nos ii's. De tal forma que Alfaia, em certas passagens,  até perdeu o ar; ficou lívido e percebeu que dali não levava nada.&lt;br /&gt;Contaram-me, porque eu recusei ir ao tal jantar.&lt;br /&gt;A operação seguinte foi desencadeada por Luís Fontoura, secretário de estado da cooperação, que foi, igualmente, a Cabo Verde para as habituais reuniões das comissões bilaterais de cooperação. Fontoura levou consigo o director-adjunto da NP, Wilton da Fonseca, um brasileiro simpático, com grande experiência dos bastidores.&lt;br /&gt;Wilton ficou mais de duas semanas em Cabo Verde, entrevistou quase toda a gente, inclusivé o Presidente da República, Aristides Pereira. O primeiro-ministro de então, Pedro Pires, proibiu o pessoal político do seu gabinete de falar com o director adjunto da NP.&lt;br /&gt;Eu falei com Corsino Fortes, quando soube da marcação da entrevista a Aristides Pereira. Tentei explicar-lhe ,e consegui porque ele entendeu, que a NP estava a transferir a "guerra" com a ANOP para Cabo Verde. Lembro-me de, na altura, lhe ter recordado um ditado africano: "quando dois elefantes lutam, quem sai mal é o capim" e acrescentei: "a luta aqui é de coelhos, mas o capim também é pouco".&lt;br /&gt;Wilton da Fonseca saíu de Cabo Verde a uma segunda-feira de manhã, dia 6 de Março e quando, ao fim da tarde, chegou a Lisboa, tinha em todos os telexes, com campaínhas, a notícia:"Aristides Pereira pensa abdicar do cargo".&lt;br /&gt;Foram 15 dias de trabalho atirados para o lixo: a entrevista com o Presidente da República não respondia à principal pergunta do momento e todo o quadro de análise da situação cabo-verdiana tinha deixado de fazer sentido.&lt;br /&gt;No dia seguinte era feriado em Cabo Verde, Dia Internacional da Mulher. Estava eu a jogar ténis, quando apareceu o motorista do secretário de estado cabo-verdiano da comunicação social. Que o sr. queria muito falar comigo. Respondi que iria só mudar de roupa. Que não, que fossse mesmo assim. E lá fui.&lt;br /&gt;Quando entrei no gabinete dele, tinha na mão um telex da France Press, com a notícia da resignação de Aristides Pereira. E perguntou-me: "então, a guerra já começou...?" Eu, olhando o telex disse: "essa notícia não é da France Press, é minha e o sr. e mais meia dúzia, se não uma dúzia de pessoas sabe que o sr. presidente tem falado aos amigos da intenção de se retirar brevemente. Quanto à oportunidade da notícia, que hei-de fazer?Por uma vez na vida decidi a meu favor".&lt;br /&gt;Os dias seguintes foram terríveis. Aristides Pereira estava em Nova Delhi com o ministro dos negócios estrangeiros. Alguém me contou depois que Silvino da Luz espumava a pedir a minha expulsão do país. Aristides Pereira, na viagem de regresso, quando lhe faziam a pergunta sorria com aquele seu sorriso simpático e nada dizia. Não desmentia, nem confirmava. Da ANOP não me largavam, queriam uma confirmação do próprio.&lt;br /&gt;A Comissão Política do PAICV reuniu e houve alguns dos seus membros, os marxistas mais ortodoxos, que pediram a minha expulsão. Aristides Pereira acabou por admitir as conversas a respeito de uma eventual resignação e Pedro Pires, com quem eu nunca tinha falado, defendeu o meu direito à notícia. Assunto arrumado. Pelo menos por ora...&lt;br /&gt;A questão das agências portuguesas foi, entretanto, discutida numa reunião dos ministros da comunicação social dos cinco países de língua oficial portuguesa. Todos foram unânimes em não dar apoio à NP e de lá chegaram-me informações sobre as verdadeiras razões das manobras portuguesas no domínio das notícias.&lt;br /&gt;Devo confessar que, entretanto, desenvolvi algumas actividades de bastidores, chamando a atenção para aspectos menos inteligentes do processo. Um deles era óbvio: o nome da agência - Notícias de Portugal. Em África, onde a saída da informação era muito limitada, ninguém gostaria de ver a sua realidade retratada sob a tutela da antiga potência colonial. Balsemão, Alfaia, Barroso e Cª foram pouco inteligentes.&lt;br /&gt;Para além do objectivo interno de tirar força à ANOP, no plano externo havia cruzamento de muitos interesses, já que os cinco eram, praticamente território vedado às grandes agências internacionais.&lt;br /&gt;O envolvimento de José Alfaia em toda a manobra seria - disse-se nessa reunião - compensado com uma participação nos negócios do petróleo.&lt;br /&gt;De posse dessas informações, colhidas de fontes insuspeitas e fidedignas ( a verdade é que Alfaia foi mesmo para a Partex, onde se envolveu no negócio dos petróleos) escrevi um texto em que descrevia o teor da fundamentação da extinção da ANOP, dizendo, inclusivé, que o Presidente da República, General Eanes, conhecia o dossier.&lt;br /&gt;Enviei o texto para o então director do Expresso Augusto de Carvalho, que me prometeu publicá-lo na semana seguinte.&lt;br /&gt;Nem na seguinte, nem na próxima, nem na outra a seguir e, quando eu tentava falar com ele aparecia sempre alguém a dizer que o sr. dr. não estava. Um dia, atendeu-me a Fernanda Barão, cuja voz, evidentemente, reconheci logo. "Queres chegar muito alto" -. disse-me ela .Fiquei sem saber o que é aquilo significava, mas também não ,interessava.&lt;br /&gt;Nesse mesmo dia escrevi um telex ao Augusto de Carvalho, dizendo, resumidamemente: " tens em teu poder um texto que te enviei há várias semanas e que nunca foi publicado apesar das tuas promessas. A partir deste momento, o texto volta à minha posse e tu não o poderás utilizar de forma alguma".&lt;br /&gt;Telefonei ao meu amigo Rui Pimenta, contei-lhe o que se passava e ele pediu-me o texto para entregar ao Mário Mesquita, então director do Diário de Notícias, que não me conhecia, mas a quem fiquei muito grato pela manifestação de confiança, ao publicar na íntegra o texto, que não teve - acrescente-se - qualquer desmentido. Nem Eanes se atreveu a dizer que não conhecia as verdadeiras razões da extinção da ANOP.&lt;br /&gt;Abro aqui um pequeno parêntesis para dizer que nunca na minha vida profissional de jornalista tive um único desmentido.&lt;br /&gt;Foi o fim da NP. A partir daquela altura, a estratégia foi a de juntar as duas agências numa única, a Lusa, que ainda hoje existe, mas que nunca teve um projecto capaz.&lt;br /&gt;Para finalizar este episódio, apenas um pormenor: algum tempo mais tarde, quando me encontrei com JM Barroso, ele não resistiu a acusar-me de lhe ter destruído o projecto da NP. Hoje ele é director da Lusa e eu escrevo este relato retrospectivo, para me defender de algumas acusações que foram feitas com o objectivo de me eliminar profissionalmente e também para não perder o treino, já que os jornais, as televisões , as rádios e, ao que parece, as agências, deixaram de ser locais recomendados para jornalistas.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112438604077317106?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112438604077317106/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112438604077317106' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112438604077317106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112438604077317106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/08/anop-versus-np.html' title='ANOP versus NP'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112404086961431423</id><published>2005-08-14T19:35:00.000+01:00</published><updated>2005-08-14T18:34:29.630+01:00</updated><title type='text'>ANOP - A Extinção Anunciada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em 1983 o fantasma da extinção da ANOP voltou à carga com uma intensidade inusitada. Era primeiro-ministro Pinto Balsemão e  secretário de estado da comunicação social, José Alfaia. A pressão sobre o pessoal da ANOP era enorme.&lt;br /&gt;Xavier de Figueiredo, que, entretanto, seguindo-me as pisadas, havia sido expulso de Moçambique, onde era chefe da delegação da ANOP, num processo igualmente pouco claro mas que definia os métodos de um Samora Machel ainda demasiado radical, não resistiu e saiu com uma indemnização ridícula, para quem tinha  dado tanto de si à instituição.&lt;br /&gt;Começou, por isso, a pressionar-me com a urgência de se arrancar com o nosso jornal.&lt;br /&gt;Aquele não era ainda o "meu tempo". Por um lado, queria acabar o contrato que me ligava à ANOP na Cidade da Praia, por outro, pressentia que, do ponto de vista político, não só para os africanos, mas também para os portugueses, o momento ainda não havia chegado.&lt;br /&gt;Trocámos alguma correspondência: ideias para lá, ideias para cá, ficou, mais ou menos assente, que pensaríamos, com calma, no tal lançamento, lá mais para a frente. O meu contrato acabava no final do Verão de 1984.&lt;br /&gt;Em Janeiro desse ano sou surpreendido com uma notícia publicada nos jornais portugueses sobre o "próximo" aparecimento de um jornal, dirigido por Xavier de Figueiredo e especialmente dedicado a África.&lt;br /&gt;A ANOP fazia agora pressão sobre as delegações, não pagando salários e o resto das despesas. Chegou a dever-me mais de três mil contos, sobretudo porque a todas as propostas que fiz para instalar a delegação e o delegado, Valy Mamede respondia com o silêncio.&lt;br /&gt;Quando lhe mandei um projecto, já pronto, para edificar as instalações da Agência, casa para o delegado e um pequeno auditório, onde poderiam ser dadas as conferências de imprensa- já que na Praia não havia nada que servisse tal objectivo, Valy Mamede respondeu que eu, além de "um perigoso comunista", porque o obrigara a assinar um contrato onde estavam previstas todas as eventualidades, era "maluco".&lt;br /&gt;O projecto que, de resto, tinha sido ideia de João Galamba e era da autoria de um arquitecto cabo-verdiano, amigo dele, custava naquela altura 600 contos cabo-verdianos, o que queria dizer 1.200 portugueses. O Estado de Cabo Verde dava o terreno, situado, junto à embaixada de Portugal e ao espaço reservado, naquela altura, para o palácio da Assembleia Nacional, que ainda haveria de ser construído pelos chineses.&lt;br /&gt;Como nenhnuma das minhas propostas foi aceite e a alternativa contratual a casa própria era o pagamento de Hotel, para mim e para a família, era isso que a ANOP pagava - e, muitas vezes, não pagava.&lt;br /&gt;Como o processo de extinção da ANOP se revelasse complicado, Balsemão e Alfaia recorreram a outro estratagema: fundaram uma outra agência, para onde se transferiu a equipa de José Manuel Barroso, com Wilton da Fonseca e Companhia - a  Notícias de Portugal, com o estatuto de cooperativa.&lt;br /&gt; A ANOP ia ficando cada vez mais em perigo e, a certa altura, lá longe, tive a sensação de que haveria dois grupos: um que lutava contra o fim da  e outro que já se tinha passado para o outro lado. O Conselho de Administração, na prática, funcionava como comissão liquidatária&lt;br /&gt;Para mim, a ANOP podia ser um grande projecto de comunicação social português, desde que soubesse aproveitar o grande potencial que se abria em África, afinal o único espaço que estava em aberto à disputa de uma agência que não se integrasse na grande rede internacional dominada pelos americanos e ingleses. É que ao espaço africano poderia juntar-se um outro de língua portuguesa - o Brasil&lt;br /&gt;E Portugal tinha condições especiais para aproveitar essa abertura, mas os nossos governantes nunca primaram pela inteligência, sobretudo na análise das condições externas. Vivem sempre da pequena intriga, dos pequenos interesses e uma ANOP forte, com um estatuto de empresa pública, não servia Pinto Balsemão.&lt;br /&gt;Antes que o seu consulado - um dos mais imcompetentes da governação portuguesa - acabasse por cair seguindo "de vitória em vitória até à derrota final", como Marcelo Rebelo de Sousa escreveu na altura, foram criadas as condições objectivas para a extinção da ANOP.&lt;br /&gt;Esta extinção era, de resto, defendida e quase exigida pelas grandes agências americanas, a UPI e a AP. Falaremos disso mais adiante.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112404086961431423?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112404086961431423/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112404086961431423' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112404086961431423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112404086961431423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/08/anop-extino-anunciada.html' title='ANOP - A Extinção Anunciada'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112395840888347633</id><published>2005-08-13T20:38:00.000+01:00</published><updated>2005-08-13T19:42:26.840+01:00</updated><title type='text'>Cabo Verde - um Salto ao Brasil</title><content type='html'>A Cidade da Praia, naquela altura, era uma cidade bem cosmopolita. Era possível encontrar gente de todo o lado e gente que estava ali, normalmente por boas razões. Na realidade,o golpe de estado na Guiné Bissau, em 14 de Novembro de 1980, tendo acarretado o corte de relações entre os dois Estados e dado lugar à fundação, em Cabo Verde, de um outro partido - o PAICV - transferiu para os cabo-verdianos o prestígio do PAIGC, que depois do golpe nunca mais parou de se afundar.&lt;br /&gt;Os cabo-verdianos, libertos da responsabilidade guineense, dedicaram-se completamente ao seu país. Não me canso de repetir que o golpe de Nino Vieira foi a verdadeira libertação de Cabo Verde.&lt;br /&gt;Os grandes projectos de cooperação começaram a ser canalizados para o Arquipélago e o país começou a crescer e a desenvolver-se.&lt;br /&gt;Com o desenvolvimento de processos de cooperação aparecia gente de todo o lado. Gente interessante, arejada. Era mais fácil saber o que se passava no Mundo na Praia do que em Lisboa.&lt;br /&gt;Entre esta gente, um austríaco, casado com uma brasileira e, por isso falando português com sotaque de Belém do Pará, Godofredo Stockinger, transformou-se num visitante especial do meu escritório. Pelo menos lá sabia as notícias em cima da hora.&lt;br /&gt;No Brasil, os militares cantavam o canto do cisne, as multidões movimentavam.se e no Parlamento Dante Oliveira fez uma proposta de emenda à constituição que ficou conhecida como "Directas Já".&lt;br /&gt;Discutíamos todos os dias os acontecimentos do Brasil. A emenda ia a votação, mas o governo brasileiro impediu todo o noticiário sobre as discussões da proposta.&lt;br /&gt;Havia mais dois brasileiros, um deles exilado político e funcionário da UNESCO. Aos três eu garanti que furava aquela proibição "governista", desde que tivesse contactos seguros no Brasil. Ficaram a olhar para mim, meio incrédulos. Apenas o Stockinger me deu o benefício da dúvida. Mas todos se dispuseram a dar-me os contactos.&lt;br /&gt;Montado o esquema, avisei o director da ANOP, que eu não conhecia, das minhas intenções: iria produzir noticiário sobre o que se passava no Brasil, com duas condições: as notícias seriam datadas de Brasília e eu precisava ter a certeza de que nenhum órgão de comunicação social português saberia como estaríamos a trabalhar.&lt;br /&gt;O Cordeiro não me conhecia e foi perguntar ao Luciano Rocha: " olha lá, está ali no telex o gajo de Cabo Verde a dizer que vai fazer notícias sobre o Brasil...o que é que tu achas, o gajo é maluco ou quê?" O Luciano, que me conhecia bem, disse que se eu dizia que fazia é porque fazia mesmo.&lt;br /&gt;E assim foi: nesse processo entrevistei o próprio Dante Oliveira, que uma telefonista foi chamar à tribuna para falar comigo ao telefone. Entrevistei, também pelo telefone, Miguel Arraes e o velho Ulisses de Guimães, que, antes de me dar a entrevista me "chingou" porque o estava a acordar às sete da manhã.&lt;br /&gt;Dei informações um pouco de todo o Brasil e bati em duas horas a EFE, com duas delegações no Brasil, uma no Rio e outra em Brasília, com a notícia das votações finais,largamente favoráveis ao sim.&lt;br /&gt;Os jornais portugueses dos dias 27 e 28 de Abril de 1983 publicaram todo o meu material. Alguns deles fizeram as primeiras páginas com as minhas notícias e os meus textos de análise, mas a ANOP nunca foi capaz de reconhecer, nem o trabalho extraordinário do noticiário sobre a África Austral, nem este feito brasileiro. É que. no ar já andavam os arautos da desgraça, anunciando a extinção da Agência.&lt;br /&gt;De qualquer forma, esta minha incursão pelo Brasil, contribuiu para um aperfeiçoamento na estratégia daquele que seria o meu jornal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112395840888347633?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112395840888347633/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112395840888347633' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112395840888347633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112395840888347633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/08/cabo-verde-um-salto-ao-brasil.html' title='Cabo Verde - um Salto ao Brasil'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112395817586482969</id><published>2005-08-13T20:34:00.000+01:00</published><updated>2005-08-13T19:36:15.873+01:00</updated><title type='text'>Cabo Verde e a Áfrrica Austral</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dentro do princípio de que jornalista sem rede é palhaço, também montei a minha em Cabo Verde. Um jornalista não tem que montar uma espécie de rede de espionagem ou de contra-informação. Basta conhecer as pessoas, falar com elas , entendê-las e , obviamente, estabelecer algumas cumplicidades, descobrir interesses comuns, acertar regras, definir e cumprir compromissos&lt;br /&gt;Com a  rede montada comecei a projectar nela a minha especulação: e se em Cabo Verde se estivesse a construir uma solução negociada para os problemas da  África Austral? O exemplo da capacidade ( mais do que isso, da inteligência) para o diálogo vinha-me das informações que, entretanto, ia colhendo sobre o processo de negociação com Spínola, de que já tinha ouvido falar em Lisboa, mas que, em Cabo Verde, ganhava outro sentido.&lt;br /&gt;Com o propósito de apurar melhor a fiabilidade da minha tese, fazia pequenas notícias relacionadas com o tema e recolhia as reacções nos sítios certos. Fui tendo a certeza. Percebi que seria no Sal onde eu deveria actuar. O que acontecesse passaria por lá. Não foi difícil montar um esquema - que nem hoje revelarei, mas posso garantir ao ex-ministro Silvino da Luz, que não suportava as minhas incursões na área, que o delegado da SouthAfrica Airlines, que ele incomodou, não fazia parte da minha rede.&lt;br /&gt;Foi então que a ANOP começou a aparecer na corrente internacional noticiosa. Na primeira linha. As conversações entre Angola, República da África do Sul, Swapo e Estados Unidos, realizadas bastas vezes, agrupando pares diversos eram um "top secret" que faz parte do meu curriculum como jornalista.&lt;br /&gt;A primeira notícia sobressaltou a comunidade diplomática da Praia. O embaixador de Portugal, Batista Martins, um homem interessado e interessante (tinha feito parte do gabinete especial de acompanhamento da situação em Timor Leste no governo Pintasilgo), chamou-me assaranpantado: como é que ele não sabia de nada? Tive que lhe explicar que a minha relação com ele era exactamente no sentido inverso - dele, eu queria notícias...&lt;br /&gt;A insistência com que eu noticiava as reuniões preocupou muita gente. Os americanos, que queriam recusar a Cabo Verde um papel no processo, às tantas diziam que o ambiente era muito fluido, pelo que, pelo menos havia que mudar de local.&lt;br /&gt;Os cubanos, que recusavam o diálogo, mandaram expressamente à Cidade da Praia, o vice-presidente Juan Almeida Bosque, para tentar demover Pedro Pires de continuar com o processo.&lt;br /&gt;Silvino da Luz protestava e tentava descobrir-me as fontes.&lt;br /&gt;Paulo Jorge, o ministro angolano das relações externas, e que era frontalmente contra a hipótese da retirada das tropas cubanas, viu-se obrigado a pedir a demissão, já que no dia em que uma das reuniões se realizava no Sal ele, numa conferência de imprensa, se não me engano, no Senegal, negava tais encontros, evidenciando que estava fora do processo.&lt;br /&gt;Renato Cardoso, que nessa altura era conselheiro político de Pedro Pires, um dia, disse-me: " já identifiquei o teu processo, fazes como o John Le Carré na Rapariga do Tambor". Eu ainda não tinha lido o livro, sorri e fui comprá-lo. Concluí que sim - o meu processo era semelhante, já que projectava na realidade uma ficção e depois recolhia o resultado que já reflectia a verdade. Depois era só confirmar com uma fonte especial.&lt;br /&gt;A verdade era tão evidente que Pedro Pires foi obrigado a reconhcer, num comício, no Sal, que "Cabo Verde sempre se dispusera a ceder o seu território para encontros que visassem a solução de conflitos". Foi a confirmação oficial.&lt;br /&gt;Em todo este processo há pequenos pormenores que hoje, a esta distância, me fazem sorrir.Por exemplo, o embaixador soviético, que recusou receber-me quando lhe pedi uma audiência, mandou pelo embaixador Batista Martins "un coup de chapeau".&lt;br /&gt;As minhas notícias levaram Angola a falar, pela primeira vez, em diálogo e a admitir que a retirada das tropas cubanas poderia estar na mesa das conversações. Kito Rodrigues, um dos membros mais importantes do processo de negociação, deu-me uma entrevista na Ilha do Sal.&lt;br /&gt;Essa entrevista teve negociações complicadas e começou comigo a bater à porta de uma casa dos Espargos, na Ilha do Sal e com o então general N`Dalu França a perguntar-me: "o que fazes aqui?" "Eu é que quero saber o que fazes tu aqui..." - respondi. Havia ali muita gente que me conhecia.&lt;br /&gt;Numa outra ocasião, em que membros da Swapo se encontraram com representantes da África do Sul em S. Vicente e já não na Ilha do Sal, os TACV cancelaram os voos da Praia para o Mindelo. Fiquei bloqueado, mas não deixei de fazer a notícia.&lt;br /&gt;Quando estava a carregar no botão do telex para enviar o texto para Lisboa, dizia a minha mulher, que, naquela altura estva comigo no  escritório: "dentro de cinco minutos o Mundo será diferente". Havia, de facto, naquele trabalho um gozo especial e que não era apenas definido pelo cumprimento de um papel profissional. Não. É que aquela matéria interessava-me particularmente. Eu tinha sido actor de uma parte daqule conflito.&lt;br /&gt;Renato Cardoso, que me foi visitar naquele momento, ainda ouviu a frase e perguntou que fazia eu. Disse-lhe para ler. Leu e, sem dizer palavra saiu. Segundo as nossas regras, ele não podia nem desmentir, nem confirmar uma coisa daquelas.&lt;br /&gt;Mas algum tempo depois,  não resistiu a tentar saber como conseguia eu a informação e contou-me que uma das reuniões entre os beligerantes tinha sido estudada, planeada e concertada por apenas quatro pessoas. Uma delas era ele próprio, que não me tinha dito nada, a outra era o ministro Silvino da Luz, que, por razões óbvias e mais pelo ódiozito especial que me tinha, também não tinha sido. "A quarta, que não te digo quem foi, tenho a certeza não te disse..."&lt;br /&gt;Teve uma gargalhada bem humorada como resposta.&lt;br /&gt;O processo de negociações tinha começado em 1979 e continuou para lá de 1984, mas só houve noticiário a seu respeito entre 1981 e 1984, os anos que estive em Cabo Verde como correspondente da ANOP.&lt;br /&gt;A France Press, por exemplo, que tinha Cabo Verde como seu território e cobria a partir de Dakar, nunca conseguiu uma única notícia de todo aquele processo.&lt;br /&gt;Um dia, estava eu no Sal a noticiar mais um encontro entre americanos e angolanos, na casa especial da presidência da república cabo-verdiana (estou convencido de que foi constrída expressamente para aquele efeito) e aguardava junto ao telefone púlico do aeroporto, sentado num daqueles bancos incómodos que durante muitos anos serviam de poiso durante horas e horas a quem queria seguir para outra Ilha, quando se aproximou do tal telefone um sujeito todo bem vestido.&lt;br /&gt;Pediu à telefonista, ali ao lado, uma ligação e, dentro de dois ou três minutos, estava a chamar-me nomes em francês. Mentiroso era o menos ofensivo. O homem estava furioso. De Lisboa, a Redacção da ANOP avisava-me que a France Press desmentia todas as minhas notícias. Era aquele mafarrico que, não sabendo de nada e não vendo nenhum aparato que lhe indicasse,sequer, a possibilidade de um encontro de tamanha importância me desmentia e aos puxões de orelhas que levava - suponho que de Paris - respondia com insultos dirigidos ao correspondente da ANOP, que, além do mais "devia ser maluco".&lt;br /&gt;Claro que o homem não me conhecia e, naquela altura, tal como havia dito um administrador da ANOP eu não tinha ar de jornalista, pelo menos daquele tipo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112395817586482969?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112395817586482969/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112395817586482969' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112395817586482969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112395817586482969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/08/cabo-verde-e-frrica-austral.html' title='Cabo Verde e a Áfrrica Austral'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112361840102396094</id><published>2005-08-09T21:12:00.000+01:00</published><updated>2005-08-09T21:13:21.026+01:00</updated><title type='text'>Cabo Verde</title><content type='html'>Em Agosto de 1981 fui a Cabo Verde, à Cidade da Praia. A viagem era um pesadelo. O Aeroporto do Sal e a necessária espera para as ligações com as outras Ilhas fazia parte de uma descida aos infernos. A Cidade da Praia era uma pequena cidade, alcandorada no chamado plateau e o resto, à volta, começava a nascer. As dificuldades eram imensas. Havia um único hotel, de construção recente, o Praia Mar. Duas ou três pensões no plateau.&lt;br /&gt;Falei com as pesssoas, ouvi o João, regressei a Lisboa e em Setembro levei malas. Iria instalar-me. A terra tinha-me impressionado muito favoravelmente, sobretudo pela vontade que descobri nas gentes, na virtude que o sistema parecia encerrar.&lt;br /&gt;O Gabinete de trabalho da ANOP era uma pequena divisão no rés do chão da Rádio Nacional. Respirava-se mal. Ao lado ficava o gabinete do primeiro-ministro.&lt;br /&gt;O Jão Galamba foi impecável: apresentou-me a toda  a gente, transmitiu-me tudo o que é possível transmitir entre dois jornalistas. E, alguns dias depois lá foi. Ele e a Conceição, sua mulher.&lt;br /&gt;Era embaixador de Portugal em Cabo Verde, Vaz Pinto, um homem de outros tempos, muito reaccionário, que aproveitava todos os pretextos para denegrir o regime, as pessoas, o país. Fiquei espantado com as primeiras conversas que mantive com ele. Fiquei ainda mais espantado por ter percebido que ele não entendia que ali, naquela cidade pequena, naquele país ainda considerado inviável, se estariam a passar coisas importantes.&lt;br /&gt;Não. Para ele, o importante eram os pequenos escândalos locais. Por exemplo, um dia qualquer um homem de idade que mantinha um "afair" com uma jovem, surpreendeu-a com um namorado. Num gesto irreflectido, disparou sobre o jovem. Um incidente igual a tantos outros que acontecem (infelizmente) em todo o Mundo. Só que o homem era pai de Pedro Pires.&lt;br /&gt;Tanto bastou para que o em baixador de Portugal evocasse, publicamente, um princípio da Igreja da Idade Média, segundo o qual os filhos dos carniceiros não podiam exercer cargos de responsabilidade, nomeadamente, não podiam ser padres.&lt;br /&gt;A conversa chegou aos ouvidos do governo cabo-verdiano e, discretamente, foi pedida a substituição do senhor. Ficou a substituí-lo, durante tempo demais o secretário da embaixada, um homem que era objecto da mais pesada chacota. Nunca quis conversar comigo e eu também não estava interessado na conversa. Foram tempos maus para as relações entre Portugal e Cabo Verde.&lt;br /&gt;Mas eu tinha descoberto o que se passava ali e, pouco tempo depois de ter chegado à Cidade da Praia, através de um dos seus mais altos funcionários, Renato Cardoso, com quem me encontrava regularmente, em termos formais, no seu gabinete do Ministério, fiz ao ministro Silvino da Luz a seguinte proposta: eu, enquanto correspondente da ANOP, apoiaria a política externa de Cabo Verde ( não havia  divergências com Portugal) e, em contrapartida, obteria informação sobre a evolução da chamada "África Austral".&lt;br /&gt;Soube mais tarde que foi o pânico. Que saberia este homem? Ao serviço de que polícia estaria? Porque, a verdade é que, perante tal proposta eu teria de saber que Cabo Verde, já desde 1979, estava a tentar, pela via do diálogo acabar, com a guerra em Angola, resolver o problema da Namíbia e, em consequência, terminar com a ocupação angolana por parte das tropas cubanas.&lt;br /&gt;Ora, a verdade é que não sabia de nada, mas percebi que, naquele ambiente, com aquela gente, era possível descobrir, de forma imaginativa, caminhos para o que parecia impossível. Além disso, Cabo Verde precisava encontrar o seu papel no Mundo e eu conhecia bastante bem toda a situação da "África Austral" (coloco as aspas porque Angola só politicamente pode ser considerada como tal e isso, por conveniência das grandes potências de então), grande parte do território faz parte da África Central...enfim, diferenças que para a maior parte das pessoas não querem dizer nada. Umdia virá....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112361840102396094?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112361840102396094/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112361840102396094' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112361840102396094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112361840102396094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/08/cabo-verde.html' title='Cabo Verde'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112361831558983611</id><published>2005-08-09T21:10:00.000+01:00</published><updated>2005-08-09T21:11:55.590+01:00</updated><title type='text'>Para o Curriculum</title><content type='html'>Deste modo me transformei no primeiro jornalista português a ser expulso de um país estrangeiro. Faz parte do meu curriculum.&lt;br /&gt;E como reagiram a empresa para quem trabalhava,os meus camaradas de profissão e o Sindicato?&lt;br /&gt;A empresa denunciou unilateralmente o contrato que tinha assinado comigo por dois anos. Valy Mamede atribuía-me não sei bem que culpas. Em última análise, para ele, eu "era um perigoso comunista".&lt;br /&gt;Os camaradas de profissão, a Júlia Fernandes, minha boa amiga, que nessa altura trabalhava no Jornal da Dois convidou-me a ir lá. Fui entrevistado pelo António Santos.&lt;br /&gt;Nos jornais, nada. O Diabo aproveitou, mais uma vez, para se meter comigo .- ódios que nunca entendi, não conhecia lá ninguém e o Sindicato fez um comunicado redondo quase um mês depois.&lt;br /&gt;Claro que não aceitei a decisão de rescisão unilateral do contrato. Não havia a mínima hipótese de culpa da minha parte. Recorri ao advogado do Sindicato, Serras Pereira.&lt;br /&gt;A guerra entre Valy Mame de e JMBarroso estava cada vez mais acesa. Fialho de Oliveira fazia de almofada e Carlos Machado de conselheiro.&lt;br /&gt;A situação era insustentável para eles e para mim e acabei por ser eu a sugerir-lhes a solução: a ANOP não tinha delegação em Cabo Verde, cuja capital, do meu ponto de vista, seria muito mais interessante do ponto de vista noticioso que Bissau.&lt;br /&gt;Havia lá, contudo, um correspondente, o João Galamba, que estava em regime de cooperação no Voz di Povo. Desde que a ANOP lhe oferecesse um contrato como correspondente em Bissau, com entrada garantida nos quadros da agência, ele aceitaria seguramente a troca. Eu iria abrir uma delegação na cidade da Praia.&lt;br /&gt;Foi o que aconteceu. Para o João Galamba a troca só teve a vantagem de ter arranjado um emprego, porque a verdade é que ele estava muito melhor em Cabo Verde do que acabou por ficar em Bissau.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112361831558983611?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112361831558983611/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112361831558983611' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112361831558983611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112361831558983611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/08/para-o-curriculum.html' title='Para o Curriculum'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112361820688671337</id><published>2005-08-09T21:08:00.000+01:00</published><updated>2005-08-09T21:10:06.886+01:00</updated><title type='text'>Expresso e os truques</title><content type='html'>Ao mesmo tempo, em Lisboa, Xavier de Figueiredo, servindo-se da entrevista com Rafael Barbosa publicou um texto que retratava completamente a situação na Guiné Bissau. Foi o Expresso,então dirigido pelo Augusto de Carvalho, que urdiu um truque, eticamente reprovável: escreveu ele próprio uma introdução que assinou e publicou a seguir o texto, que não estava assinado.&lt;br /&gt;Em Bissau, foi a gota de água. Vítor Saúde Maria - o ministro que roubava as ajudas de custo dos funcionários que o acompanhavam à Assembleia Geral da ONU - decidiu que aquele texto só poderia ter sido escrito por mim e, na reunião do Conselho da Revolução, onde Nino Vieira pouco dizia e nada mandava, propôs a minha expulsão, que foi aceite.&lt;br /&gt;Fui chamado ao ministério dos negócios estrangeiros, onde Leonel Vieira, secretário geral, me comunicou a decisão do Conselho da Revolução "que não tinha apreciado particularmente o meu trabalho e o considerava destabilizador..." Eram 20 de Março de 1981, tinham passado 40 dias desde que chegara a Bissau pela segunda vez.&lt;br /&gt;A ordem era para seguir no próximo avião - 20 horas depois.&lt;br /&gt;Foi uma noite sem sono. A ANOP tinha a delegação na Avenida Amilcar Cabral, do lado oposto ao Cinema UDIB ( que, na verdade era um clube desportivo), perto da Praça dos Heróis, chamada no tempo colonial de Praça do Império.&lt;br /&gt;Toda a noite houve romaria. Toda a gente queria saber o que tinha eu realmente feito. Eu tinha a minha própria explicação, mas preferia ouvir as especulações - algumas delas bem fantasiosas.&lt;br /&gt;Na manhã seguinte lá fui para o aeroporto, onde não me queriam deixar sair, porque não tinha visto de saída... Há coisas que só acontecem em certos sítios.&lt;br /&gt;Quando cheguei a Lisboa, tinha à saída do avião o JMBarroso e o Xavier de Figueiredo, que me pediam por gestos para não falar (havia alguns colegas das rádios e dos jornais à minha espera).Lembro-me de ter dito que tudo aquilo não passaria, concerteza de uym mal-entendido e seria resolvido em breve.&lt;br /&gt;Qual mal-entendido? Saúde Maria, em privado, terá dito às autoridades diplomáticas portuguesas que a acção foi um erro, mas a mim nunca ninguém  disse nada. Por isso, quando, mais tarde, me convidaram para ir à Guiné Bissau, eu exigi, primeiro, desculpas públicas. Decidiram-se por um truque mais ou menos baixo e eu não voltei a Bissau.&lt;br /&gt;Devo, contudo, afirmar que do povo guineense que encontrei nos Bijagós e no interior do país, guardo as mais gratas recordações.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112361820688671337?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112361820688671337/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112361820688671337' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112361820688671337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112361820688671337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/08/expresso-e-os-truques.html' title='Expresso e os truques'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112361812201512283</id><published>2005-08-09T21:07:00.000+01:00</published><updated>2005-08-09T21:08:42.016+01:00</updated><title type='text'>Bissau - Rafael Barbosa</title><content type='html'>Entre 1978 e 1980 tinha trocado com o Xavier algumas opiniões sobre o projecto que ambos idealizávamos - um Jornal sobre África. A minha ida para Bissau era a grande oportunidade de reavivarmos o sonho. Ele esteve 15 dias comigo e não perdemos a oportunidade. Lembro-me que, naquela altura, considerámos não ser ainda oportuno arrancar com ele. Não só porque as condições políticas não eram favoráveis, mas também porque seria difícil arranjar dinheiro.&lt;br /&gt;Para ambos, a questão do dinheiro era menor, já que tínhamos a certeza que iriamos fazer um bom jornal e a qualidade mobilizaria os apoios necessários (tão lunáticos que cheiram a idiotas...).&lt;br /&gt;Durante a nossa estadia conjunta em Bissau, o Xavier falava todos os dias no seu grande desejo de entrevistar o Rafael Barbosa, que estava em prisão domiciliar numa casa de primeiro andar, mesmo defronte do gabinete do chamado Comissário Principal (primeiro-ministro). Era um espectáculo: ao fim da tarde, toda aquela gente que saía da cidade e se dirigia para os subúrbios,para as respectivas casas, passava em frente à casa, onde, na varanda, estava sentado Rafael Barbosa. Toda a gente curvava a cabeça em respeitoso e discreto cumprimento.&lt;br /&gt;Aquele homem, que tinha sido condenado à morte, libertado durante o 14 de Novembro, directamente para a Rádio onde foi anunciado como "um dos melhores filhos da nossa terra" e foi ovacionado por toda a cidade como se se tratassse da multidão de vários estádios de futebol juntos e onde fez um discurso anti-soviético, anti-cubano e anti-cabo-verdiano talvez tivesse sido uma hipótese de saída. Talvez...mas a verdade é que não se pode estar contra tudo e todos.&lt;br /&gt;Ora bem, um dia, comigo a conduzir a Diane vergonhosa que a ANOP tinha em Bissau, saímos para dar uma curva e vermos, mais numa vez, o espectáculo da prestação de homenagem ao Rafael Barbosa. Chegados em frente à casa do homem, parei o carro,pus nas mãos do Xavier uma máquina fotográfica e um gravador e disse-lhe: "anda...sobe!"&lt;br /&gt;Ele assim fez. Quando lá chegou, o polícia que tomava conta do "prisioneiro" mandou-o entrar. "O homem está à sua espera..." O Xavier ficou surpreendido, mas avançou e lá contou ao que ia. No meio da conversa ambos perceberam que tinha havido um equívoco. Barbosa estava à espera de um cooperante holandês e como o Xavier é mais parecido com um holandês do que com um português, ali estava a aproveitar o bigode loiro e a semelhança com os homens do Norte.&lt;br /&gt;Fizeram a entrevista, gravada e com fotografias. Rafael disse tudo, ou pelo menos o que lhe interessava dizer. Era um documento importante, daqueles que qualquer jornalista gosta de ter em sua posse. Nessa noite comemorámos o acontecimento.&lt;br /&gt;Um ou dois dias depois Xavier abandonou Bissau e entre nós tinha ficado combinado que qualquer coisa que ele fizesse sobre a Guiné Bissau teria de ser assinado, para que não houvesse confusões e não me fossem atribuídos os textos deles.&lt;br /&gt;Entretanto, eu montei a minha rede (jornalista sem rede é palhaço). Entre os seus membros tinha um interlocutor directo de Rafael Barbosa, que, entretanto, tinha sido levado para uma cadeia a sério, junto ao Porto de Pidjiguiti.&lt;br /&gt;Rafael Barbosa era precioso porque a sua capacidade de persuasão era tão grande que, em pouco tempo, tinha os carcereiros na mão. Além disso conhecia todos os homens que naquela altura constituiam a super-estrutura do Estado e alguns deles iam falar com ele à prisão.&lt;br /&gt;Não resisto contar aqui, entre parêntesis uma estória interessante sobre um deles - o Yafai Camará, vice-presidente de Nino Vieira:no final da guerra, em 1974, Camará era analfabeto - não tinha havido tempo para a escola. Os camaradas do PAIGC levaram-no para o Mindelo, onde o matricularam na Escola, No final do ano, Yafai passou a terceira classe e os camaradas foram felicitá-lo . " Muito bem, Yafai, agora tens que fazer a quarta...""...Cusé tene mas?" ( o quê tem mais?) - perguntou o aflito estudante, futuro vice-presidente da República da Guiné Bissau.&lt;br /&gt;Além do noticiário normal, muito do qual surpreendia claramente as autoridades guineenses, cuja estrutura suprema era um Conselho da Revolução (poucos deles sabiam que eu já tinha estado em Bissau e tinha, portanto, um conhecimento razoavelmente bom do tecido social), fazia muitos textos de opinião sobre a situação - alguns dos quais, com ligeiras diferenças, apareciam em jornais portugueses assinados por ilustres jornalistas "especialistas em assuntos africanos".&lt;br /&gt;Nesses textos de opinião defendia muito claramente o diálogo com Cabo Verde e a reunião entre Aristides Pereira e Nino Vieira, que chegou a estar marcada para 12 de Março, no Maputo.&lt;br /&gt;Estes textos desagradavam claramente a uma facção do Conselho da Revolução, comandada por Vitor Saúde Maria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112361812201512283?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112361812201512283/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112361812201512283' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112361812201512283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112361812201512283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/08/bissau-rafael-barbosa.html' title='Bissau - Rafael Barbosa'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112361802746967252</id><published>2005-08-09T21:04:00.000+01:00</published><updated>2005-08-09T21:07:07.476+01:00</updated><title type='text'>Bissau de Novo</title><content type='html'>Em Lisboa, tinha-se alterado a relação de forças e o António Ramos, spinolista, conselheiro de Eanes, estava em conflito com os restantes membros do Conselho de Administração. A secção África tinha entrado no esquecimento. Quando cheguei à capital, reivindicando o meu posto de trabalho, foi " o cabo dos trabalhos". JM Barroso, que se aliava com toda a gente,não estava muito pelos ajustes. O Sindicato, comandado pelo Fernando Cascais, então um comunista mais ortodoxo do que todos os que já me tinham calhado na rifa, propunha que aceitasse entrar como "estagiário". Ora, eu tinha começado a trabalhar na Rádio e nos jornais há 18 anos e até já tinha chefiado uma delegação da ANOP, sem reclamações - talvez o José Vitorino, em Faro, não tivesse gostado que não lhe aceitasse as notícias que ele já levava redigidas, com erros de ortografia e tudo...&lt;br /&gt;Num primeiro round desta batalha, acabei por dizer ao JM Barroso que estaria em casa à espera das instruções dele. Como não tinha telefone e vivia em Sta. Cruz, perto de Torres Vedras, era necessário dar-me notícias por telegrama.&lt;br /&gt;Durante dois meses assumi a minha função de carpinteiro, fazendo mobílias para a família, dediquei-me aos filhos, tentei fazer uma horta e esforcei-me por aprender mecânica, porque tinha um carro velho, de 1959, impróprio, por isso, de oficina. Nas Brejenjas havia um sucateiro que me vendia peças e eu ia fazendo do meu mini Cooper uma verdadeira máquina. Nos intervalos lia e escrevia qualquer coisa. Os amigos estranhavam a minha passividade, mas eu sempre vivi grandes acalmias entre grandes turbilhões&lt;br /&gt;Até que um dia, quando estava no meio da construção de um móvel que a dona da minha casa me tinha encomendado, recebi notícias da direcção de informação da ANOP. Era mais um furacão que se formava no alto mar. No horizonte tudo era escuro&lt;br /&gt;Lá fui.&lt;br /&gt;Passaria a fazer os boletins informativos para a emigração. À tarde, porque de manhã,  eram feitos pelo Belmiro Vieira, ex-director do Diário de Luanda, irmão do mais universal dos poetas cabo-verdianos, o Arménio Vieira, meu prezado amigo, e fundador, entretanto de " O Correio da Manhã".&lt;br /&gt;Outro conflito à vista.&lt;br /&gt;Nesse tempo, já era presidente da ANOP Suleyman Valy Mamede, chefe da comunidade islâmica em Portugal, vindo de Moçambique e que se tinha transformado no homem de confiança de Sá Carneiro para a informação.&lt;br /&gt;Um dia, o Belmiro ficou à minha espera, para me tentar convencer de que a minha selecção de notícias era muito complicada, porque dava aos emigrantes uma ideia errada do que se passava em Portugal: "tu só falas de greves e coisas do género..." ao que eu respondi: "não te preocupes porque, como tu só fazes citações de Sá Carneiro e coisas do género, a visão que os nossos compatriotas têm do país não pode deixar de ser equilibrada..."&lt;br /&gt;Eu continuei a definir os critérios das minhas notícias e ele o das dele. Tudo bem. Nada. Valy Mamede chamou-me, para me explicar o que já Belmiro tinha tentado. Debalde. Recebeu a mesma resposta.&lt;br /&gt;E eu continuava, aos fins de semana a fazer de carpinteiro, pedreiro, mecânico, canalizador. E ainda com tempo para sonhar.&lt;br /&gt;O meu jornal ia crescendo na minha cabeça, sempre que tinha as mãos ocupadas, com as ferrramentas ou a acariciar o mais novo. O mais velho andava apaixonado. Tinha chegado de Angola e descobrira na Escola, primeiro que em Portugal a política era um jogo de "betinhos" e, depois, uma loira bem bonita. Não parava em casa, o que me lembrava a minha própria adolescência, vivida, felizmente para mim, em condições bem mais felizes.&lt;br /&gt;Valy Mamede, Belmiro Vieira e JM Barroso decidiram acabar com os meus boletins para a emigração.&lt;br /&gt;Fui colocado na secção internacional, isto é, passei à carreira de tradutor. A ANOP era ainda, nessa altura, uma magnífica agência de notícias no plano interno, a que juntava alguma informação de África, com o Xavier de Figueiredo em Bissau e o Jorge Heitor em Moçambique, mas no plano internacional, não passava de um retransmissor das grandes agências internacionais.&lt;br /&gt;Não deixei, por isso, de me entregar ao trabalho com afinco. Aprendi muito com os companheiros que tive, de que destaco a Fernanda Barão, a Luísa Ribeiro, O Artur Margalho, o Luís Paixão Martins - um desk impecável e implacável.&lt;br /&gt;Até que  chegou o dia de  o Xavier querer vir de Bissau. Propuseram-me a sua substituição. Estou convicto de que mais para se verem livres de mim do que por me considerarem capaz de descascar aquele ananaz que o facto de o Xavier ter ficado com linha aberta durante o golpe de 14 de Novembro de 1980 tinha feito nascer.&lt;br /&gt;Lá fui. Em 18 de Fevereiro de 1980. Tinha o Xavier de Figueiredo e uma cidade em bem piores condições daquela que tinha deixado em 1978 à minha espera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112361802746967252?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112361802746967252/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112361802746967252' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112361802746967252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112361802746967252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/08/bissau-de-novo_09.html' title='Bissau de Novo'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112360695500833393</id><published>2005-08-09T18:02:00.000+01:00</published><updated>2005-08-09T18:02:35.010+01:00</updated><title type='text'>ANOP</title><content type='html'>Terminado o meu contrato com o governo da Guiné Bissau como professor-cooperante voltei para Lagos, para a Escola Secundária, onde ainda vigorava um sistema de governação herdeiro dos tempos ante-25 de Abril. Eu divirtia-me, chamando ao presidente do Conselho Directivo sr. director e recusando-me fazer aquelas tarefas que não cabiam aos professores e que, com o tempo foram integradas nas suas obrigações ( eu acho que um dia ainda lhe enfiam uma vassora e enquanto dão aulas, preenchem pautas, escrevem aos encarregados de educação e não sei que mais, varrem as escolas. Esperemos).Naquele tempo, eu, a cada solicitação que excluísse aulas,  respondia sempre da mesma maneira : "sou professor de História, se tiver uma aulita para dar, aqui estou. Essa coisa de papelada não é comigo..."Lembrava-me dos tempos da tropa em que também estavam sempre a ver se me punham a fazer coisas idiotas - até um jornal me pediram para fazer...Eu dizia sempre: "meu capitão"( ou o que quer que fosse) : " sou atirador, especial, se tiver uma guerra para mim, aqui estou, o resto não é comigo. Um dia, um deles evocou os regulamentos e obrigou-me a tomar conta, burocraticamente, do material de guerra. Só quando recebeu um rádio cifrado do QG a ameaçá-lo de prisão percebeu que os papéis estavam lá todos, mas com um carimbo "arquive-se".Mas, então, estava eu em Lagos, quando, depois de ter escrito ao meu querido amigo Rui Pimenta, ele me convidou para um almoço com o António Ramos, naquela altura membro da administração da ANOP.Durante o repasto, o António,um homem generoso, entusiasta, ficou "fascinado" ( a palavra foi dele) com a minha perspectiva e conhecimentos sobre África e ali mesmo me convidou para entrar nos quadros da Agência para integrar uma secção especializada em África, que ele queria muito criar.Estávamos no final do ano lectivo de 1978/79. Foi a minha última experiência como professor e de vez em quando lembro com saudade o convívio com a juventude.Em Julho desse ano assinei com a ANOP (Rua Júlio de Andrade, 5, Lisboa - este pormenor é importante para a estória) um contrato que me ligava à agência, não sem antes ter que ultrapassar alguns obstáculos, ainda os resquícios de um curriculum político controverso. Houve mesmo um dos administradores para quem eu "não tinha ar de jornalista". Que ar tinha eu? - perguntei.Não obtive resposta. Já uma vez em Bolonha, depois de não ter conseguidolugar em um único hotel ou pensão, me interroguei sobre o mau "ar".De qualquer forma , tinha voltado à minha profissão e o Rui Pimenta, que era o chefe da delegação de Faro, onde fiquei como forma de ultrapassar as tais dificuldades, foi um verdadeiro mestre na minha integração nos métodos de trabalho da agência, além de um amigo solidário, compreensivo e dedicado. Para quem vinha sobretudo da Rádio, com algumas incursões pelos jornais, e fazia do improviso a sua grande arma, entrar na síntese obrigatória do método das agências não se afigurava fácil, mas, rapidamente, com a ajuda do Rui, lá me integrei.Tanto assim que, quando o Rui Pimenta foi para Lisboa, como adjunto do ministro da informação, major Figueiredo, no governo Pintasilgo, lá fiquei sózinho.Um dia, o Helder Guerra foi expulso da Madeira pelo Alberto João Jardim e o José Manuel Barroso, recuperando as escaramuças da minha admissão, lembrou-se de fazer de mim o segundo homem de Helder Guerra, trasnferindo-o para Faro.Perguntei, com toda a naturalidade, porque não o contrário e, quando o Helder chegou, depois de o integrar na sociedade local, resolvi rumar Lisboa. Tinha à minha espera uma outra guerra. Para começar, tive que lembrar a JM Barroso que o meu contrarto era com a ANOP, na Rua Júlio de Andrade, 5, em Lisboa e não na Tenente Valadim, em Faro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112360695500833393?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112360695500833393/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112360695500833393' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112360695500833393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112360695500833393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/08/anop.html' title='ANOP'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112360689341177059</id><published>2005-08-09T18:00:00.000+01:00</published><updated>2005-08-09T18:01:33.416+01:00</updated><title type='text'>Bissau</title><content type='html'>Bissau é um sofoco. Tem mar,mas para o prazer da praia é necessário viajar para os Bijagós - Bubaque. Vamos até lá um fim de semana, a bordo de um daqueles velhos Dakotas que se usavam em Angola para ligar Luanda às restantes capitais de distrito, em tempos muito recuados (anos 50).&lt;br /&gt;Os Bijagós são uma espécie de paraíso dos pobres. Lá, quem manda são as mulheres, escolhem e rejeitam os homens, administram a propriedade da terra, que não tem dono. Naquele tempo (77/78) recusavam-se pagar impostos e integrar-se  no estado - novo ou velho, eles não queriam aquela autoridade, nenhuma autoridade que lhe fosse exterior.&lt;br /&gt;Em Janeiro de 78 ano, as FARP tinham bombardeado umas quantas Ilhas - só para assustar. Parece que não resultou.&lt;br /&gt;Bubaque é uma Ilha simpática e em 1978 havia lá uma pousada explorada por um sueco. Tinha um bungalow especial para o Luís Cabral, que, de resto, confraternizava com as pessoas que por lá andavam. Um dia mandou para a nossa mesa algumas frutas do filho dele, que tinha a idade o Daniel Filipe. Foi simpático.&lt;br /&gt;O fim de semana da família ficou registado com algumas fotografias e uma viagem a Bolama, a verdadeira capital colonial, com edifícios espantosos, de colunatas gregas... e uma grande vala a meio da principal avenida da,  naquela altura,cidade-fantasma.&lt;br /&gt;Houve outras viagens para o interior onde descobrimos os poilões e a terra vermelha de sangue. Sem cheiro.&lt;br /&gt;Na Páscoa eu fui para o Norte: Varela, com passagem por Cacheu, S.Dominhos, um batuque interminável, depois de uma viagem em canoa inolvidável.Nunca tinha visto semelhantes condições de transporte. Havia uma mulher que para proteger um filho ainda bebé de qualquer acidente o protegia com o corpo contorcendo-se de tal modo que receei  se rasgasse.&lt;br /&gt;De S. Domingos até Susana, uma boleia simpática e um acolhimento cordial na missão católica italiana. Uma noite de conversa com os padres que mantinham uma actividade impressionante, quer ao nível da escola, quer no plano dos trabalhos agrícolas e outros. A missão fervilhava. O trabalho começava assim que nascia o Sol. Se na Guiné Bissau havia uma revolução, ela estava ali.&lt;br /&gt;De Susana para Varela fomos a pé (eu, o Zé Nascimento e a Clara Campino) por caminhos arenosos difíceis de percorrer. Fomos encontrando um povo simpático, hospitaleiro, os Felupes, sobre os quais se contam coisas espantosas.&lt;br /&gt;Nas ruínas do que foi a estância de repouso das elites coloniais anteriores à guerra e onde se notava, inclusivé, a existência de canalização para água quente, montámos o nosso acampamento.A cerca de 300 metros o Atlântico rolava nas areias douradas que se prolongavam pela fronteira do Senegal.&lt;br /&gt;Depressa percebemos que raramente estávamos sózinhos. O pessoal mais jovem da aldeia próxima espreitava-nos e, aos poucos, foi-se aproximando. Acabaram por servir de ligação com as populações adultas. Ficámos sob a protecção deles. Inclusivé, tomávamos banho nas instalações comunitárias da aldeia, construídas sem portas,em forma de um caracol e com o chão atapetado de conchas brancas.&lt;br /&gt;Populações islamizadas, ali o PAIGC tinha resolvido com inteligência a questão do poder: nomeou como presidente do comité do partido o chefe religioso local.&lt;br /&gt;O regresso foi mais doloroso, mas quando chegámos a Bissau tínhamos coisas novas para contar: um povo, que, teoricamente ,se governava por uma direcção secreta, que administrava a justiça de forma estranha...Enfim, um mundo completamente novo.&lt;br /&gt;A ideia do jornal ia ganhando novos terrenos para explorar. Começava a ganhar forma a ideia de transformar os diversos povos africanos no centro de um jornal. Eu amadorecia. Às vezes de forma violenta. Foi em Bissau que descobri que para os africanos a Independência não significava uma oportunidade de estabelecer relações de igualdade com outros povos, com outra gente.&lt;br /&gt;Não. Para a maior parte deles tinha havido, pura e simplesmente, uma inversão: agora quem impunha, quem mandava, ainda que sem qualquer critério ou sentido de justiça, eram os africanos, os negros. Já tinha experimentado em Angola a violência do racismo,mas na Guiné Bissau percebi porquê. Esta era mais uma razão para levar ávante a ideia de um jornal tendo como centro África e as suas gentes. Naquele tempo já pensava que as dificuldades estimulam e que não se deve recuar perante elas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112360689341177059?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112360689341177059/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112360689341177059' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112360689341177059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112360689341177059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/08/bissau.html' title='Bissau'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112283429780245280</id><published>2005-07-31T19:13:00.000+01:00</published><updated>2005-07-31T19:24:57.810+01:00</updated><title type='text'>Começo IV</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não é bem, mas parece um telenovela brasileira.&lt;br /&gt;Estamos então em Bissau 77/78.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É embaixador de Portugal, António Pinto da França, que, apesar de toda a sua habilidade como diplomata não conseguia - percebia-se - convencer os poderes de Lisboa que valia a pena apostar na divulgação cultural, no incremento do ensino da língua em moldes correctos e não partindo do princípio de que o português era a língua materna de toda aquela gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As relações dos cooperantes com a embaixada não eram as melhores. Continuo a pensar que, durante este ano lectivo Bissau teve um grupo de professores especialmente dedicado e profissional. Alguns anos depois, quando regressei à Guiné Bissau, como correspondente da ANOP para ser expulso ao fim de 40 dias do exercício das funções (aqui está mais outro parêntesis prometido), ainda se falava da excelência desse grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que também aconteceram alguns azares, como, por exemplo o caso do Luís Vaz - até há pouco tempo director de um dos colégios da Casa Pia - que resolveu fazer discursos políticos na festa de finalistas dos alunos do Liceu e acabou por ficar retido em Bissau durante alguns meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E houve, igualmente, em Agosto de 1978, uma cena da polícia política, a segurança, comandada por um senhor chamado Buscardini - que haveria de morrer durante o golpe de 14 de Novembro de 1980 - que queria obrigar alguns de nós a ir buscar os passaportes à Segurança, uma espécie de ameaça que se usava como que querendo submeter os portugueses ao mesmo tipo de medo a que se sujeitam os nacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que apesar de toda a moderação, a Guiné Bissau era governada por um partido único, que também governava Cabo Verde e, por aquelas alturas o poderio militar dos guineenses era ainda assinalável. Na polícia política havia a cooperação cubano-soviética, bem como nas forças armadas. Era tudo muito secreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom... a verdade é que, pela minha parte, comuniquei ao embaixador de Portugal que o facto de a polícia política ter ficado com o meu passaporte para lhe colocar um visto de saída era um problema dele e não meu, pelo que o sr. embaixador foi falar com o sr. Buscardini e lá se revolveu o problema. Não saímos de Bissau a 5, mas a 12 de Agosto. Uma semana por causa de uma birracom uma explicação:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A maior parte dos alunos dos cursos da noite eram, de facto, os funcionários do aparelho de estado e necessitavam de obter aprovação nos exames para subirem nas carreiras. É verdade que alguns se esforçavam, mas outros, como se entendiam a si mesmos como heróis pelo esforço a que se sujeitavam cumprindo horários pesados de aulas à noite, depois de um dia de trabalho, recorriam a todos os estratagemas. Sobretudo os que trabalhavam em sectores chave, como por exemplo, a tal segurança.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por exemplo, um deles, em pleno exame, enquanto olhava para a folha de papel em branco ia-me "informando" que o meu passaporte estava com ele. E nós dependiamos de um visto de saída, mesmo depois de terminado o nosso contrato...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112283429780245280?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112283429780245280/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112283429780245280' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112283429780245280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112283429780245280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/07/comeo-iv.html' title='Começo IV'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112281291379228489</id><published>2005-07-31T13:29:00.000+01:00</published><updated>2005-07-31T14:24:52.663+01:00</updated><title type='text'>Começo III</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O melhor é assumir: a estória do "África" que eu pretendo contar toda vai ter muitos parêntesis. Não é fácil resistir-lhes. A verdade é que todos os esforços que tenho feito para esquecer o "África" e tudo o resto foram em vão e, de repente, a propósito de uma conversa na Rádio, começa tudo a ser muito claro na minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Têm aparecido muitos escritos sobre acontecimentos de que fui protagonista, uma vezes, observador privilegiado, outras, e a poucos reconheço veracidade. São relatos de relatos e, por isso, não correspondem ao que realmente aconteceu. Sempre os tenho ignorado. Um desenraizado não pode andar sempre a olhar para as raízes fora da terra, como soldado na guerra de tripas na mão à procura de uma equipa médica...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, agora que as raízes estão a tomar conta do espaço, ouçamo-las. Vamos aos parêntesis. Espero ter a compreensão dos que me vão lendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos ao mais recente desta narrativa, já que gostava de evitar um relato cronológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Guiné Bissau - 1977/78&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Reinava a paz por todo o território, viajava-se normalmente, com um ou outro controlo, mas nada que se comparasse ao que, na mesma altura, acontecia em Angola. A capital era uma cidade arrumada e limpa, mas nas lojas havia pouca coisa para comprar. Só nos Armazéns do Povo, uma organização que vinha do tempo da guerrilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui, nesta ausência de comércio, está o primeiro grande erro político do PAIGC. A nacionalização do pequeno comércio foi uma medida que contrariou a estrutura social de toda a região, históricamente conhecida por zona de entrada e saída de mercadorias. Foi, de resto, a partir dali que os europeus penetraram para o interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destruído o pequeno comércio, a população da Guiné Bissau passou a vender ou para o Senegal, ou para a Guiné Conackry, o que produzia. É interessante verificar, por exemplo, que à redução da produção de arroz verificada no Norte do país, nos anos a seguir à independência, correspondeu uma subida da produção no Senegal. Os números justapoêm-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Estado passou a ser o grande patrão e o respectivo aparelho foi sendo tomado de assalto pela pequena burguesia, que, não tendo estado na luta, assumia a independência como uma oportunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos primeiros anos, a unidade criada na guerra, as solidariedades aí desenvolvidas foram sendo substituídas pelas teias de interesses em torno do Estado, que, entretanto, recebia a maior ajuda externa alguma vez dada a um país chegado à independência depois de uma guerra de libertação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PAIGC tinha um enorme prestígio internacional que se transformou numa espécie de galinha de ovos de ouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aparente facilidade com que o país instalou uma linha de montagem de automóveis - os Mehari - apresentado publicamente como o "orgulho dos combatentes da liberdade da pátria", a designação que se dava aos homens e mulheres que tinham participado na guerrilha, foi contribuindo para a criação de um clima de pura ilusão. Ilusão ampliada com a notícia da edificação de grandes projectos de fábricas para o aproveitamento do cajú e outras; aproveitamento dos fosfatos, empresas mistas de pescas, etc.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uns não passaram de notícias e outros foram ruindo sob o peso da imcompetência, do compadrio e da obrigação que, culturalmente, cabe aos guineenses melhor colocados na vida, de tomar conta dos outrs parentes. Este é um pormenor que atenua muito o conceito europeu do nepotismo e até mesmo da corrupção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os detentores do poder- os homens que tinham feito a guerra - e a gente que circulava à sua volta sonhava com uma vida desafogada, perdulária mesmo, sempre em viagens e muito pouco atentos às necessidades reais das populações, particularmente as do interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pressentiam-se tensões no interior do poder. De um lado, os cabo-verdianos, que asseguravam, de um modo geral, a condução da coisa pública. Do outro, os guineenses, das várias etnias, a pressionarem o aparelho. Aos poucos, o país ia caminhando para a condição de cidade-estado: Bissau.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os dinheiros da ajuda pública permitiam, entretanto, a existência de vários projectos e estudos. A capital estava repleta de estrangeiros, cooperantes, envolvidos em todos eles. Os portugueses estavam sobretudo no sector do ensino.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Liceu Kwame N'Krumah era bem o espelho da sociedade guineense daquele tempo. Um pormenor: não havia conflitos entre os alunos, apesar de a capacidade das instalações estar largamente ultrapassada. Lembro-me de dar aulas uma tura com 65 alunos a que, de vez em quando, se juntava um número indiscriminado de assistentes. Costuma brincar dizendo que aquilo não era uma aula, mas um espectáculo, a que só faltavam os holofotes e o director de cena.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112281291379228489?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112281291379228489/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112281291379228489' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112281291379228489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112281291379228489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/07/comeo-iii.html' title='Começo III'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112272218163743380</id><published>2005-07-30T12:35:00.000+01:00</published><updated>2005-07-31T13:31:55.466+01:00</updated><title type='text'>O Começo II</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não gostaria de cansar quem vai lendo estes apontamentos, mas cada vez mais se vai enraízando em mim a ideia de que, a propósito da história do "África", posso, de uma vez, satisfazer o pedido de alguns amigos, sobretudo dos mais jovens, que insistem comigo: "quando contas o que sabes...quando fazes um livro...?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho jeito para livros, sempre escrevi sob a pressão do microfone ou da rotativa. Tenho, como toda a gente, coisas na gaveta, mas essas fazem parte da pele. É difícil largá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao continuar com este testemunho, feito de memória, gostava que ele não fosse interpretado como uma viagem ao meu umbigo. Gostava que ele fosse entendido como um contributo à explicação de algumas coisas que nunca foram explicadas - também porque faltou a coragem de para o fazer da parte de quem podia. ( A este propósito também recordarei alguns episódios que falam da chamada liberdade de expressão em Portugal)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regressemos então a Abril de 1977, já em Luanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um dia para o outro, senti-me entrar em pânico. Valeu-me a companheira, determinada a levar-me dali. Ela mais do que pressentia, sabia os riscos que eu corria. Impediu que contasse as minhas verdadeira intenções a alguns amigos que faziam parte do governo - as fidelidades deles não eram com as amizades e ela sabia isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, a 17 de Abril, conseguimos dois lugares num avião rumo a Lisboa. Ainda me lembro da sensação: por um lado sentia toda a minha vida ruir e por outro receava que o avião voltasse para trás - já tinha acontecido várias vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente não aconteceu e chegámos à Portela: corredores cheios de gente, muitos deles conhecidos, olhos de ódio, insultos em surdina e ao fundo o meu irmão, surpreso por me ver. Ele apenas esperava a grávida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali estávamos os dois, com uma mala cheia de nada e um filho que haveria de nascer no final de Maio desse ano. Três dias antes, a 27, ocorreu o que eu vaticinava: Nito Alves tentou o assalto ao poder central - a única coisa que lhe faltava, já que dominava as estruturas sectoriais e provinciais do partido. (Teremos, seguramente tempo para mais alguns pormenores desta fase da História de Angola). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por agora, apenas um pormenor: os meus pressentimentos e as certezas da Zi estavam certos: soubemos que por volta do fim do mês de Abril, uma equipa da DISA, de Luanda, e da facção Nito Alves, tinha ido ao Lubango para me prender... A polícia política daquela cidade sempre se recusou fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal, para um jornalista com o meu curriculum, sobretudo político, a coisa não era fácil: as estórias que eu tinha para contar assustavam toda a gente. A direita porque não as queria contadas por mim e a esquerda acusava-me de estar a favorecer a "reacção". E todos eles tinham medo de perturbar as já perturbadas relações com Angola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por essa altura, quem era da esquerda não era da direita e quem era da direita não era da esquerda.. e ninguém podia ser de coisa nenhuma, assim mesmo, um absurdo colectivo a girar em torno de conceitos gastos, ultrapassados e que obrigavam ao esquecimento das realidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rádio, que era o meu meio, estava repleta de gente que entrou sob a pressão dos chamados retornados, uma classificação que sempre rejeitei. Pertenço ao numeroso grupo dos que não passou pelo IARN - estou, portanto, fora das contas que habitualmente se fazem para avaliar o número de portugueses que regressou das ex-colónias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos jornais, as conversas eram verdadeiros inquéritos policiais. Toda a gente queria saber de que lado eu estava e ninguém admitia que eu tinha o meu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desempregado - situação que apenas conhecera durante um período, na sequência das minhas posições depois do 25 de Abril- recorri ao curso, concorri para dar aulas e fui parar à Escola Secundária de Lagos, onde descobri uma situação de colonialismo interno confrangedora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver em Portugal passou a ser insuportável. Candidatei-me a um contrato de cooperação como professor para a Guiné Bissau. Ver, no terreno, o produto da teoria de Amilcar Cabral, que me fascinava desde sempre, era também um objectivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fomos os três juntos. Até aí, eu estava em Lagos e a Zi e o Daniel Filipe em Torres Vedras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, em Novembro de 1977, a porta do avião se abriu no aeroporto de Bissalanca, as assistentes de bordo da TAP olharam para o pimpolho e disseram : "coitada da criança". Aquela humidade e aquele calor não eram novidade, mas confesso que receei por ele. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Afinal, não foi assim tão mau: crescia a olhos vistos e adorava, ao fim da tarde, fazer um passeio pela marginal de Bissau, junto ao porto do Pidjiguiti. Quando o clima começou a ser mais inclemente e a faltarem algumas frutas, veio ter com a avó, que também tinha deixado a fazenda e "asilado" em casa do pai e da mãe, em Santarém. Já eles tinham regressado da Caala, onde deixaram a sua vida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em Bissau respirava-se um clima de grande tranquilidade e segurança. Dávamos aulas a turmas de adultos, à noite, e havia dias em que a Zi voltava a casa, na antiga messe da Marinha, por volta da meia-noite, sózinha, e nunca houve um único sinal de perigo. De resto, ela era uma mulher de armas: já em Angola protagonizou a única viagem que se fez entre Luanda e o Lubango, 1.113 quilómetros, logo a seguir à retirada das tropas sul-africanas, numa estrada sem pontes e cheia de minas. (prometo voltar a esta aventura...)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era presidente da República Luís Cabral e primeiro-ministro Chico Té. Nino Vieira era o Chefe de Estado Maior das Forças Armadas. Foi nessa Bissau que reencontrei o Xavier de Figueiredo, então correspoindente da ANOP e com quem comecei a falar sobre o projecto que viria a ser o "África Jornal"&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112272218163743380?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112272218163743380/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112272218163743380' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112272218163743380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112272218163743380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/07/o-comeo-ii.html' title='O Começo II'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112271785671533704</id><published>2005-07-30T11:10:00.000+01:00</published><updated>2005-07-30T11:36:04.166+01:00</updated><title type='text'>O Começo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Antes iniciar a história do "África", talvez valha a pena dizer-vos que aquela sugestão do António Gonçalves - voltar a fazer o "África" - gerou algum desassossego junto dos mais próximos. Ideias....ideias. Prometo pensar nelas durante as férias. Lá para Setembro talvez algumas se sintam com pernas para andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que uma estória, o que se vai seguir nos próximos tempos é um testemunho. Talvez ele valha a alguém, talvez sirva para os próximos avaliarem de uma outra maneira a minha geração. Talvez a minha geração - os que comigo foram desenraízados (não sempre do mesmo modo, mas desenraízados) encontrem aqui algumas das justificações que lhes faltam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era Abril de 1977 e em Angola corriam lutas surdas nos corredores do poder. Entendia o que se passava, tinha posição: entre Nito e Neto escolhia, obviamente ,Neto, mas o "meu" MPLA não acertava com nenhum do deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde Fevereiro de 1976 que me desgastava com grande entusiasmo a construir a parte que me cabia: adminsitrava fábricas, dirigia a Universidade, a Rádio Popular, com uma emissão em português e mais cinco línguas nacionais, fundei um jornal - nestas tarefas todas sempre criei equipas novas, de cuja formação me encarregava. Rejeitei desde o princípio o projecto de estado cubano: levar para Cuba a juventude angolana e formá-la lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha pouco tempo para dormir e, mesmo assim, algumas vezes tive que me levantar a meio do sono para ir em socorro de alguns amigos cujas casas tinham sido invadidas por faplas bêbados que tinham resolvido fazer rusgas de madrugada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A par disso tinha que suportar a hostilidade das tropas cubanas, que se comportavam como exército de ocupação e não entendiam o que é que eu e outros como eu ainda estavamos a fazer em Angola. Para eles, nós éramos apenas estrangeiros. Obrigaram-me a sair de minha casa e depois afrontaram-me em outra em que me instalei.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ocuparam os emissores da antiga Rádio Comercial, instalados no Cristo Rei e preparavam-se para os levar para Cuba, onde, ainda do tempo de Fulgêncio Batista, existiam muitos iguais aqueles RCA de 10 Kws.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Haverá seguramente oportunidade para contar outros episódios...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltemos a Abril de 1977. Para mim era óbvio que se aproximava uma desgraça: as forças que se degladiavam a todos os níveis da vida política e social, deixando para trás os aspectos mais importantes, relacionados com a vida das populações, não tardaria recorreriam à força.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dei conta de que o meu nome fazia parte das duas listas e imaginei-me a rolar pelo belo precipício da Tundavala - onde já tinham sido jogados outros menos activos que eu - e resolvi sobreviver.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A minha mulher, a Zi, estava grávida. Ambos tínhamos acreditado na possibilidade de um Mundo Novo com uma Nova Vida. Mas foi tudo tão diferente: botas a bater nas escadas a lembrar os filmes dos nazis, gente humilhada apenas porque a cor da pele deixou de conferir, insulto fácil, roubo institucionalizado, incompetência instalada, arrogância a extravasar da mediocridade...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com tudo isto, ela resolveu começar a tratar dos papéis para sair.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é possível pedir a quem nunca viveu num regime de partido único pseudo-marxista-leninista-stalinista que imagine a dimensão das tarefas necessárias para reunir os documentos necessários para sair. São montes de papéis fúteis, declarações idiotas. A certa altura exigiam a quem quisesse sair um atestado de bom comportamento moral e civil.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No meio da pressão e da amargura, da desilusão, ainda havia algum espaço para o humor: "em Angola só poderiam ficar as putas, chulos e vigaristas..."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aproveitei a boleia e, formalmente, fui ao aeroporto do Lubango levar a minha mulher . Por sorte do Boing 737 que nos havia de levar para Luanda estacionou com as portas viradas para a pista e ninguém me viu sair. Para trás ficava o Lubango, os meus amigos, de quem não tive coragem para me despedir - talvez porque fosse perigoso fazê-lo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não tinha passaporte, fotografias, nada disso, tinha passado todo o tempo ocupado nas tarefas de construção de um  país novo. Chegado a Luanda tive que recorrer aos amigos: para as fotografias e passaporte, a Terezinha Mendes (alguns dos episódios relacionados com as fotografias davam um filme...)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De posse do passaporte, faltava o visto e agora, que já passaram muitos anos, sempre posso revelar que quem me ajudou foi o meu velho companheiro e amigo do Colégio D. João de Castro, de Nova Lisboa, o Manuel Ruio Monteiro, hoje escritor celebrado (começámos ambos a escrever um livro na velha Remington do pai dele, mas, claro que nunca passou da primeira página...)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois, foi o "Cantinflas" que mandou a Fátima, a secretária dele, comigo ao ministério das relações exteriores com a recomendação de "contar uma estória ao Garcia Bires melhor que a minha, que estava cheia de falhas".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vinte minutos depois tinha o milagroso carimbo num passaporte português novo - o meu primeiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112271785671533704?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112271785671533704/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112271785671533704' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112271785671533704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112271785671533704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/07/o-comeo.html' title='O Começo'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112258918643231709</id><published>2005-07-28T23:20:00.000+01:00</published><updated>2005-07-28T23:40:45.370+01:00</updated><title type='text'>O "África" Hoje</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Está aí, algures, um comentário que é bem de um amigo: do António Gonçalves ( só não percebi por que razão aparece outro nome a anunciar o dele próprio... enfim, coisas da Net)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é que ele sugere a possibilidade de o "África" de ontem ser mais útil hoje? E atreve-se a insinuar que eu seria capaz de o fazer ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Confesso que fiquei parado. É que nos últimos dias fui ao sótão e estive a reler, a reler e entre cada leitura, as estórias foram fluindo, pareciam cerejas, palavras, eu sei lá, o passado a mexer-se. Lá estavam o Xavier, o João Van Dunem, o João Carneiro, O José Moreira. As reportagens de guerra , no Cuito Canavale ( que a imprensa internacional classificava de cidade), O Saara e a Frente Polisário, as críticas às plantações de fuba, descritas por uma jornalista de visita à Jamba.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lá estava a Marina, o Miguel e o Zé (Higino) , a Ana Consolado, a escorregar pela parede e a atirar o correspodente da Nova China para dentro do blindado: um chinês verde, a vomitar, borrado de medo: as tropas do Savimbi ( leia-se África do Sul) tinham bombardeado um grupo de jornalistas com a célebre G-5.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;À medida que ia lendo, apareceram outros: o Eugénio, a lutar pela sobrevivência, o Loja Neves a lutar pela carteira profissional que o Expresso lhe recusava, a Valentina, impodo-se pelo querer, o Miguel Rego, cheio de dúvidas , e, mais tarde a casar com a Zé, nas instalações do "África" , já na Possidónio da Silva. Com cerimónia e tudo. Éramos uma equipa, daquelas que pode ir à Lua e regressar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E nessa equipa, lá estava o Fernando Alves, sempre em cima da hora e sempre com a língua de fora em trejeitos inimitáveis, a escrever a sua crónia " Boé de Sede", uma das coisas que ele melhor conseguiu e que só por si garantia leitura obrigatória em muitos sítios de África . Lúcio Lara, por exemplo, aguardava ansiosamente, o seu exemplar do "África " para ler o "Boé de Sede".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Boé ou Bué ? Grande discussão! Não estou nem aí.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com todo este filme a passar-me a correr na memória, conseguiria, eu, hoje, dirigir um jornal onde a carreira de cada um fosse determinada por um diploma?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que faria do Rui Parracho, o mais competente deles, na banca, na escrita, mas avesso ao carreirismo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como receberia hoje alguém como o AguaLusa, a quem demos a carteira profissional, que escreveu o que não devia nas costas do Director, prosseguiu na mentira, mas tem o talento da ficção?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como conseguiria hoje resolver os problemas provocados por ter à frente um presidente da República, que, nervoso, não conseguia articular uma palavra e, para bem dele e minha tranquilidade, resolvi abandonar a sala, puxado pelo braço amigo do Mário de Andrade? É que ele está aí de novo, com a mesma ignorância, mas com o mesmo carisma...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como suportar a arrogância dos embaixadores, detentores de uma confiança pessoal ilimitada mas nula preparação técnica, imaginando-se a si próprios imperadores da Turrquia ou coisa que os valha. E não falo apenas de embaixadores africanos em Portugal...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como encarar a "concorrência" feita de revistas coloridas cujos proprietários estão dispostos a apostar num novo negócio, o das "publicações de temática africana"?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entre estas, para além do inimitável "ÁFRICA hOJE", cujo título era do Xavier de Figueiredo, publicava-se uma outra de uma organizaçlão chamada ELO, por onde passavam as chamadas iminências pardas do colinialismo e que achavam "entender de pretos". Entre essas ilustres figuras estava o Luís de Sousa Macedo, mais tarde Secretário de Estado do Cavaco e hoje, por obra do Espírito Santo, Secretário Geral da Portugal Telecom SGPS, responsável, nomeadamente pela área social de patrocínios - todos direitos para o futebol e outras coisas do género. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que fazer?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Oh! António! Tu achas que há condições para erguer um projecto jornalístico tão idealista, tão isento, tão preocupado como o foi o "África"?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou tu achas que eu perdi força e estaria na disposição de encabeçar um projecto de informação sem orientação, sujeito apenas às leis do mercado e sem se preocupar com a mensagem transmitida? Esta não é, seguramente, a tua ideia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se houver alguém capaz de me garantir que eu posso fazer um jornal de que me possa orgulhar tanto como aquele que fechei a 31 de Maio de 1991, então vamos a isso. Força não falta!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;António Gonçalves, meu querido amigo, tens a tua resposta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112258918643231709?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112258918643231709/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112258918643231709' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112258918643231709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112258918643231709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/07/o-frica-hoje.html' title='O &quot;África&quot; Hoje'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112242226586340239</id><published>2005-07-27T00:58:00.000+01:00</published><updated>2005-07-27T01:00:39.470+01:00</updated><title type='text'>Os Amigos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Todos temos teorias ácerca de amigos. Seja ela qual for, no meu caso, confesso: é bom tê-los . A propósito deste blogue tem havido os telefonemas do costume. A Net está mais distante do que imaginamos de muita gente. Alguns, todavia, já apareceram com os seus comentários. O primeiro e mais aguerrido é de alguém que me conhece bem. O segundo veio do Fernando Alves, meu querido amigo de grandes batalhas desde tempos imemoriais. Algumas das nossas estórias talvez caibam aqui. Experimentarei, à medida que for acalmando este frenesim que, de repente, voltou a tomar conta de mim a propósito do " África".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tempos houve que pouca gente percebia o entusiasmo com que eu falava de um projecto que era sobretudo uma enorme dor de cabeça...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, adiante: falo de outros amigos que aqui apareceram com o seu testemunho: António Gonçalves, que durante algum tempo foi chefe de Redacção do "África", para onde transportou toda a sua longa experiência profissional, adquirida, nomeadamente ao serviço do "Notícia" a revista que era naquele tempo um pouco a televisão de Angola.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Leonel Cosme outro velho amigo, a quem ajudei a consolidar o Rádio Clube da Huíla e a iniciar a recuperação da Rádio Comercial de Angola, que, sob nossa gestão já tinha atingido, em Março de 1974 mais receitas do que em todo o ano de 1973. Claro que há explicações para tudo. Talvez também falemos disso...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O testemunho de Leonel Cosme neste blogue (deve ter pedido, seguramente, a um dos netos para o instruir no sentido de se apresentar na NET) é particularmente importante, já que testemunha com os olhos de quem conhecia outras realidades africanas, aquilo a que eu chamava o milagre cabo-verdiano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A propósito: há muitos anos ( não sei precisar quando) escrevi um texto dizendo que Cabo Verde podia ser a Suiça de África. Recentemente alguém lançou a ideia. Afinal, agora não está longe de concretizar. Quando escrevi aquilo acreditava sinceramente nas comparações que fazia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A todos eles, os que telefonam e os que escrevem ou os que simplesmente mandam recados, o obrigado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com tempo, devagar, vou contar tudo. Prometido&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112242226586340239?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112242226586340239/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112242226586340239' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112242226586340239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112242226586340239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/07/os-amigos.html' title='Os Amigos'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112216758907945387</id><published>2005-07-24T02:12:00.000+01:00</published><updated>2005-07-25T17:06:04.446+01:00</updated><title type='text'>A Estratégia do "África"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Já a prometi. Pode ser que sirva alguém. o "África" não era um negócio como depois aconteceu a inúmeros jornais "virados" para África, sem calendário, sem linha editorial, a explorarem apenas a vaidade dos presidentes, dos ministros e de algumas mulheres deles. De resto, os jornais, em Portugal também se transformaram em instrumentos de negócios - eles próprios eram (são) um negócio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O "África", desde a sua edição "África Jornal", publicada à pressa pelo Xavier de Figueiredo, em 1984 - estava eu ainda em Cabo Verde como delegado da ANOP - tinha uma estratégia editorial, definida por mim próprio: um jornal, cuja principal função seria a de criar uma plataforma de informação entre o Norte e o Sul, servindo-se da língua portuguesa como instrumento e negando, como princípio a ideia de que havia um conflito Leste-Oeste e um diálogo Norte- Sul. Para o jornal "África", era exactamente o contrário: conflito Norte-Sul e diálogo Leste-Oeste.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Parece que o tempo nos veio a dar razão. Isso hoje não se discute.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Utilizaria um espaço de publicação que pouco tinha a ver com as realidades que tratava e, por isso, não estaria sujeito às pressões políticas do conhecimento fácil, do telefone acessível, do interesse anunciado, sugerido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do ponto de vista económico, como não tinha ninguém com família rica (sei lá...tipo Balsemão ou Ricardo Salgado...) tinha que ter uma estratégia multi-dependente, para ser independente. Isto é: na busca do apoio de todos construiria a sua independência editorial - um princípio fundamental, sem o qual não há um jornal que possa trasnmitir credibilidade a quem o lê.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em princípio, sempre imaginei que Angola seria o estado mais virado para apoiar o projecto: conheciam-se, eu era dissidente do MPLA, mas tinha contribuído, muito, para a chegada daquele movimento ao poder . Há uma parte da história do Sul de Angola que não pode escrever-se sem o meu nome. No domínio da informação, há alguns episódios, a nível nacional, que também têm a minha acção inscrita. Fui um professor esforçado, um gestor interessado e sacrificado. Lutei a sério pela Independência de Angola.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enganei-me: O novo poder angolano não conhecia o país e era um grupo de garimpeiros. Achavam que de tudo faziam dinheiro, inclusivé de um jornal com uma estratégia que implicava um anti-savimbismo puro, saudável, afirmado desde a primeira hora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como se percebe, a Unita - que era Savimbi - não era alternativa, embora o desejasse. Savimbi era mais esperto nesse domínio, mas também me reconhecia como seu inimigo. Prometeu "pendurar-me".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Moçambique desenvolvia uma guerra difícil com a África do Sul, mas também tinha gente convencida de que era capaz de realizar um projecto de comunicação capaz de suplantar o "África". Aquino de Bragança,conselheiro de Samora Machel e que com ele morreu no desastre de de 19 de Outubro de 1989, sempre me abordava num tom crítico e era, claramente, o homem que impedia uma aproximação de Samora Machel, o presidente que decidia tudo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por outro lado, um punhado verdadeiramente heróico de jornalistas moçambicanos desenvolvia o projecto da AIM, com Carlos Cardoso à frente. Todos eles - meia dúzia - achavam que eram capazes de conseguir vencer o Mundo. Acabámos, por, na medida do possível, apoiá-los. O Tomaz, que era correspondente da AMI em Lisboa, depois do Luís Lemos foi nosso colaborador.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A Guiné Bissau representava um regime sem rei nem roque. Os ministros ficavam à espera que entrasse algum dinheiro no Banco Central para viajarem. O Ministro dos negócios estrangeiros, Saúde Maria roubava as ajudas de custo que deviam ser pagas aos funcionários do ministério que com ele viajavam para Nova Yorque a fim de assistirem à Assembleia Geral da ONU.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu tinha sido expulso da Guiné Bissau e denunciei, tanto quanto pude, todos os crimes levados a cabo por Nino Vieira e a sua trupe. Portanto, era mais um a ficar do outro lado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ficava Cabo Verde e Portugal, mais a ponte que ambos poderiam fazer com Angola, sobretudo, e com o Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A estratégia de ligação informativa entre o Norte e o Sul passava pelo Brasil. Tentámos, de resto, lançar algumas pedras em S. Paulo, mas a diferença de linguagem conduziu-nos ao fracasso: quando eu falava de publicidade, o nosso homem pensava em advertising ( à americana), pelo que precisava- também - de dinheiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Godofredo Stockinger, um austríaco apaixonado pelo Brasil e por Cabo Verde ajudou de várias formas, até com dinheiro. Mas, também não conseguimos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com os empresários portugueses foi e é (ao que parece) uma desgraça. O que eles querem é que não se fale deles, pela simples razão de que estão convencidos que "conhecem um preto qualquer" que, com uns trocados lhes vai abrir o negócio da vida deles. É na ambição estúpida dos empresários portugueses - e não só - e na pobreza miserabilista da maior parte dos dirigentes africanos que começa, se prolonga e se eterniza a corrupção. Jogo limpo? Com publicidade e as regras dos negócios bem claras? Isso é para a União Europeia ou para os Estados Unidos...quando é!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112216758907945387?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112216758907945387/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112216758907945387' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112216758907945387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112216758907945387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/07/estratgia-do-frica.html' title='A Estratégia do &quot;África&quot;'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112214381411881638</id><published>2005-07-23T19:36:00.000+01:00</published><updated>2005-07-23T19:36:54.120+01:00</updated><title type='text'>Pequenas estórias - Timor Leste</title><content type='html'>É verdade: de repente, assim como se tivesse dado um salto para trás, vêm-me à memória pequenas estorias (as tais que fazem a História). O tal debate da RDP África foi a gota de água para me obrigar a reler o "meu" jornal e voltar a orgulhar-me do que fiz e do que permiti fosse feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, o "África" foi o único jornal português que, durante os sete anos em que existiu, nas suas várias versões, nunca fechou a porta a Timor Leste. Sempre nos batemos pela Independência de Timor, sempre acolhemos os textos dos dirigentes da FRETILIN, sempre lhes demos o nosso apoio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto assim que, um dia, nas habituais conversas que se seguem às entrevistas formais com os governantes, Durão Barroso me perguntou por que razão nós continuávamos a falar de Timor Leste: "é uma causa perdida" - garantiu-me. Afinal, não era e alguns anos depois não deixei de me surpreender com o entusiasmo de Barroso com a Libertação de Timor, que acabou, de resto, por ser uma das grandes causas nacionais portuguesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há entre os actuais dirigentes timorenses quem não se esqueça do "África", embora manifestem a sua gratidão sempre de forma discreta. Teria sido bom que, na altura própria, tivessem gritado o seu obrigado a um jornal, que, não sendo de ninguém, sabia ser de quem dele precisava.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112214381411881638?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112214381411881638/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112214381411881638' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112214381411881638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112214381411881638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/07/pequenas-estrias-timor-leste.html' title='Pequenas estórias - Timor Leste'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112213813210025913</id><published>2005-07-23T18:01:00.000+01:00</published><updated>2005-07-23T19:37:49.996+01:00</updated><title type='text'>Pequenas estórias - Prof. Agostinho da Silva</title><content type='html'>Um jornal avalia-se pelo que publica e não pelo que se diz a seu respeito. A vontade que muita gente tinha de ver confirmadas as "suspeitas" que Carlos Veiga e os seus pares tinham levantado sobre o PAICV e os seus dirigentes, acusando-os de corrupção (alguns dos quais com contas no estrangeiro) levou-a a acreditar em tudo o que ouviam e liam, até porque - como já disse - não havia contraponto. Era só dizer mal, bater, era só porrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, bastava ler meia dúzia de números do jornal para perceber (algumas pessoas tinham essa obrigação) que estavam perante um jornal de grande qualidade e muito firme do ponto de vista editorial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prof. Agostinho da Silva, por exemplo, deu-nos a honra da sua amizade e além de assinar uma coluna semanal nas nossas páginas, ofereuceu-nos, assim, sem mais aquelas, a herança de todos os seus direitos autorais, depois da sua morte. Nessa altura preferimos desejar-lhe muitos anos de vida, agradecer-lhe a lembrança e recordar-lhe as nossas dificuldades e o receio de, um dia para o outro, deixarmos de ter condições de publicação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112213813210025913?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112213813210025913/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112213813210025913' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112213813210025913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112213813210025913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/07/pequenas-estrias-prof-agostinho-da.html' title='Pequenas estórias - Prof. Agostinho da Silva'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112212903163839301</id><published>2005-07-23T16:30:00.000+01:00</published><updated>2005-07-23T16:28:59.280+01:00</updated><title type='text'>Estratégias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hei-de falar da estratégia do "África". Tenho a esperança de, desse modo, comunicar alguma coisa de interessante. Mas, agora, já que estou com a mão na massa, aproveito para fazer uma comparação de estratégias políticas: Pedro Pires e o PAIV construiram um país a partir da fome e das pedras. Edificaram-lhe fundamentos sólidos: identificação cultural e prestígio internacional, feito de seriedade, com reivindicação a ter uma voz.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Carlos Veiga e o MpD dividiram a sociedade cabo-verdiana, destruiram a credibilidade internacional, deixaram de ter voz activa  no Mundo e abalaram profundamente a definição cultural do povo residente em Cabo Verde.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como pequeno pormenor nesta estratégia, Carlos Veiga e o MpD atacaram, tentando destruir, o único órgão de comunicação social que prestigiava o país e o integrava no contexto internacional, valorizando as suas iniciativas diplomáticas e salientando o processo de desenvolvimento económico. social e político existente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E porquê tentaram destruir?:  porque imaginaram que os seus objectivos políticos não seriam entendidos pelo "África", pelo  seu director e pela sua Redacção. Preferiram mesmo abrir logo as hostilidades, assim que ganharam o poder.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cada dia que passa me leva à convicção de que Pedro Pires cometeu um erro imperdoável, de grande ingenuidade, ao pensar que, sendo o "África" conveniente a Cabo Verde também o seria para Carlos Veiga e o MpD.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eram estratégias opostas: com Carlos Veiga e o MpD acabou-se a política dos pioneiros, dos construtores e iniciou-se a política da gestão dos interesses. Era perigoso apoiar um jornal com estratégia e pensamento próprios. É que, mesmo havendo concordância com Pedro Pires (sobretudo), o África publicou alguns textos que lhe deram algumas dores de cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda a propósito da morte de Renato Cardoso, o "África" publicou um texto assinado por Alfredo Margarido que falava de uma cabala perfeitamente fantasiosa, mas, mesmo assim, por respeito a um colaborador de méritos firmados, sempre com opiniõs polémicas, foi publicado, na certeza de que os leitores entenderiam estas razões. Alguns entenderam, outros, alguns dos quais eram colaboradores próximos do primeiro-ministro de então, não perceberam...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma última questão: quando se fala em apoio ao "África", não se está a falar em compra/venda. o "África" não era vendável, o seu director nunca se vendeu, continua a não ser vendável e, na sua Redacção só havia gente honrada, uns já com grande prestígio profissional e outros que o vieram a adquirir, graças ( ainda hoje o dizem) à verdadeira escola de jornalismo que aquele jornal foi. Teremos, seguramente, oportunidade para citar os nomes. Agora estou com pressa de resolver esta questão eterna dos financiamentos. Não posso permitir que se continue a lançar o anátema sobre um dos projectos da minha vida e não posso consentir que os meus filhos, por essa razão, possam vir a ter menos orgulho nas capacidades e na obra do pai.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repito mais uma vez - e esta - neste blog é definitiva: jamais escrevi alguma coisa porque me tivessem pago para o fazer. Nunca o conseguiria assim como nunca consegui pagar a ninguém para escrever alguma coisa que me fosse favorável ou às empresas em que trabalhei. Há gente muito importante neste país que o sabe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez Carlos Veiga também o soubesse, já que ele também sabia das dificuldades que o "África" tinha de vencer para veicular as suas notícias, os seus comentários, as suas opiniões.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112212903163839301?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112212903163839301/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112212903163839301' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112212903163839301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112212903163839301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/07/estratgias.html' title='Estratégias'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112201911050223885</id><published>2005-07-22T09:00:00.000+01:00</published><updated>2005-07-22T08:58:30.506+01:00</updated><title type='text'>Financiamentos II</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Manhã cedo, releio o que escrevi ontem e não resisto a acrescentar algumas coisas: aquilo que Carlos Veiga, com evidente má fé, considerou ser passível de crime de peculato atribuível a Pedro Pires é nada comparado com os honorários que ele cobrava do Estado de Cabo Verde na altura de partido único, usando como pressão a possibilidade de fazer oposição - coisa a que nunca se atreveu de forma directa, antes da introdução do sistema pluripartidário.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O medo era a sua atitude de todos os dias, medo de perder as fontes de rendimento, que lhe vinham de um Estado pobre, a lutar para sair do mais miserável subdesenvolvimento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E já agora, o tal financiamento, mesmo com as contas erradas, foi uma gota de água no imenso oceano das despesas de um jornal que fechou sem dever nada a ninguém. Outros colaboraram muito mais que Cabo Verde.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para acabar este capítulo: não deixa de ser notável que Pedro Pires, acossado por todos os lados, tenha afirmado no Verão de 91 que não estava arrependido do apoio que tinha dado ao "África". É que ele entendeu que sem aquele jornal o seu país não teria alcançado a notoriedade que alcançou no concerto das nações. Ele sabe, seguramente, que o que lá se escrevia era verdade, mesmo quando se entrava na crítica de posições pessoais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É verdade: naqueles tempos de partido único o "África" atrevia-se à crítica a que a chamada oposição ao regime fugia por medo não se sabe bem de quê.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A afirmação de Pedro Pires - que muito me honra - também terá a ver com as conclusões que ele tirou sobre a relação custo/benefícios. Depois dele - já com Carlos Veiga - o país entrou no apagão global do terceiro mundo e nunca mais teve brilho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pelo contrário: os fundamentos de um Estado idóneo, cumpridor, respeitador das regras, foram profundamente abalados por uma onda de neo-liberalismo irresponsável, que permitiu o aparecimento de fortunas suspeitas e de um abismo ainda maior entre ricos e pobres.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112201911050223885?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112201911050223885/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112201911050223885' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112201911050223885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112201911050223885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/07/financiamentos-ii.html' title='Financiamentos II'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112198767448142269</id><published>2005-07-22T00:14:00.000+01:00</published><updated>2005-07-24T00:19:54.140+01:00</updated><title type='text'>Os Financiamentos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Deixo lá mais para a frente as verdadeiras razões que levaram ao encerramento do semanário"África", que, ao contrário do que a opinião pública cabo-verdiana pensou, não teve nada a ver com Cabo Verde&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tal opinião pública , foi, mais tarde, em Julho de 91, manobrada sem qualquer escrúpulo pelo gabinete do primeiro-ministro Carlos Veiga, com uma única intenção: destruir Pedro Pires, um homem que quando saiu do poder teve que ir para casa da mãe porque não tinha sequer casa própria, um homem que pertencia ao punhado de verdadeiros heróis que tinham conseguido a Independência para o país e feito dele uma terra viável para todos os cabo-verdianos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não quero parecer pretencioso, mas penso que havia igualmente a intenção de me "abater" como jornalista. Confesso que, de certo modo, isso foi conseguido, já que até homens como Germano de Almeida se atreveram a , de longe, lançar-me pedras, de forma mais ou menos leviana, sem cuidarem de saber o outro lado. E até o correspondente do "Público" na Praia, com a conivência óbvia da Redacção em Lisboa, se permitiu fazer notícia sem tentar, sequer, contactar-me.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apenas um único jornalista o tentou fazer para ouvir a minha opinião sobre a matéria: foi alguém da RTP 2, já em Novembro de 1992, no dia a seguir ao da minha alta do Hospital, depois de ter feito um bypass triplo. Claro que não estava em condições de respoder a coisa nenhuma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A questão do chamado financiamento do África que levou Pedro Pires, Júlio de Carvalho e Carlos Andrade a Tribunal foi usada como arma política para desacreditar o PAICV e alguns dos seus principais dirigentes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O MPD, quando chegou ao poder pôde verificar que não havia provas nenhumas das calúnias que tinha lançado para a opinião pública através da cobertura que dava a panfletos anónimos em que falava de corrupção, contas no estrangeiro, etc.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já andei muito caminho, já vi muita coisa, mas dirigentes como os que Cabo Verde teve desde 1975 a 1991 é difícil encontrar. Um único "pecado" lhes deve ser atribuído: a falta de habilidade para libertarem a informação, embora ainda o tenham tentado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, se não conseguiram, tal também se ficou a dever à falta de capacidade, de profissionalismo, genica e vontade da grande maioria dos profissionais da informação cabo-verdiana de então. Desse grupo, de semi-analfabetos, fazia parte Daniel Santos, que também tentou arranjar emprego no "África", em Lisboa, o homem que acabou a assinar o que, seguramente, Eugénio Inocêncio escrevia, já que, sendo conselheiro de Carlos Veiga, teve acesso aos documentos que Pedro Pires deixou no Gabinete.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E que documentos eram esses? Propostas de projecto para continuar com um jornal que fazia falta aos cinco países de Língua Oficial Portuguesa, numa conjuntura em que se lutava contra o apartheid, pela Independência da Namíbia e pela retirada das tropas cubanas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cabo Verde, através dos seus mais altos dirigentes políticos, percebeu a importância de tal órgão de comunicação, escrito por gente capaz, com uma estratégia inteligente, um veículo eficaz para contrapôr as razões dos africanos ao matraquear interrupto de todos os meios de comunicação social do chamado Ocidente e também do Oriente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao contrário daquilo que David Hofer Almada afirmava no "Voz Di Povo", que ele como ministro da informação nunca conseguiu valorizar, nunca no jornal "África", alguém foi obrigado ou, sequer sugestionado, a escrever contra ou a favor de quem quer que fosse. E a única pessoa de Cabo Verde que encomendou um texto à redacção do "África" foi exactamente o dr. Hopfer Almada. Queria um texto sobre um livro de poemas que, na altura tinha escrito e que, em resumo, era uma saudação ao facto de ele próprio ter nascido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como director do jornal entreguei a matéria ao responsável pela área da cultura, que entendeu não merecer o livro qualquer referência. Foi essa a resposta que trasnmiti a Jorge Alfama, que havia servido de intermediário entre o ministro Hopfer Almada e eu própio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Curiosameente, mais tarde, o Diário de Notícias publicou um texto da prof. Lúcia Lepeki, com grandes encómios à poesia de Almada (Hopfer).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os textos que se seguiram à descoberta do "dossier África" são verdadeiramente assombrosos e não vale a pena sequer recordá-los, porque lhes falta, primeiro, a minha opinião e depois uma análise descomprometida e inteligente à estratégia que o tal dossier, a que foram subtraídos documentos, continha. Para compensar a falta dos tais documentos, faziam-se análises mais ou menos disparatadas aos chamados responsáveis do jornal: Rola da Silva, por exemplo, é tido como "um crítico da direita" que tem o prazer de "criticar os defeitos da esquerda". O "grande mentor espiritual do jornal, o único a quem o director (eu) pedia conselhos .E esta, oh! Rola?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que me desculpe o Rola da Silva, meu querido amigo, e todos os outros, mas o "África", desde o princípio, mesmo como "África Jornal", com Xavier de Figueiredo como director, foi estratégia exclusivamente minha É verdade que reuni uma equipa maravilhosa, de que estou muito orgulhoso, mas, em matéria de estratégia quem mandava era eu, apesar de o Daniel Santos me considerar uma "pessoa pouco autoritária". Ainda bem - acrescento eu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;João Van-Dunem, considerado um "profundo conhecedor" dos bastidores da política angolana. "Não costuma assinar os seus artigos, nem está ao corrente de tudo o que se passa no "África" - dizia-se naquele Verão de 91, no Voz Di Povo. Lindo, João.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Carlos Veiga e os seus conselheiros tiveram nas mãos um verdadeiro manual para desenvolverem uma política de informação. E o que fizeram? deitaram-na à rua e optaram por seguir o exemplo de todos os dirigentes africanos, que pagam fortunas pela publicação de textos encumiásticos, entrevistas e coisas dessas a esmo, em revistas sem prestígio, mas que são exibidas apenas nas salas de espera dos ministros, porque nem os consultórios médicos as querem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Provavelmente, Pedro Pires ao deixar os tais documentos no gabinete do primeiro-ministro terá pensado que o seu sucessor seria um homem capaz de perceber a importância daquele projecto. Nunca lhe perguntei se foi por isso, mas se foi, é claro que se enganou. Carlos Veiga, como político, é um rolo compressor e só abre caminho para os seus amigos e familiares.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E o mais engraçado é que, o Daniel Santos/Eugénio Inocêncio/Carlos Veiga, ao fazerem as contas do tal financiamento não perceberam que se enganaram, mas já é tarde para os ensinar a fazer contas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Precisam, todavia, de ficar a saber que havia um compromisso entre a direcção do "África" e um núcleo duro do PAICV , que aprovava o plano, no sentido de uma parte importante daquele financiamento vir a ser reposto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para tal, bastava que os outro quatro países africanos de língua oficial portuguesa percebessem o alcance do projecto. A verdade é que não perceberam, mas os resultados da acção dos seus políticos ao longo dos últimos trinta anos também não são famosos. Parece que, afinal, Cabo Verde merecia o destaque o o "África" lhe dava...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112198767448142269?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112198767448142269/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112198767448142269' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112198767448142269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112198767448142269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/07/os-financiamentos.html' title='Os Financiamentos'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112181573789906972</id><published>2005-07-20T00:26:00.000+01:00</published><updated>2005-07-20T00:42:48.410+01:00</updated><title type='text'>O Fim de um Projecto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A última edição do jornal "África" foi publicada a 31 de Maio de 1991, dia em que o governo de Cavaco Silva, como Durão Barroso como ministro dos Negócios Estrangeiros assinou um acordo em Bicesse, entre o MPLA e a UNITA - mais um acordo de" paz".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A minha posição sobre tal acontecimento foi a de o considerar mais uma palhaçada que não conduziria a nada. Já o tinha escrito há muitos anos: a guerra em Angola só terminaria com a morte de Jonas Savimbi. Sabia do que falava, conhecia profundamente a personalidade do Jonas Malheiro ( de quem tinha sido contemporâneo no LiceuDiogo Cão, em Sá da Bandeira).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sabia que seria mais um acordo, igual ao do Alvor, e Nakuru, de Lusaka e tantos outros, inventados uns, abortados outros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesse mesmo dia, fui convidado pelo Carlos Veríssimo, da RDP, para ir comentar o acordo. Eu tinha acabado de anunciar o fim do projecto pelo qual tinha lutado tantos anos, no qual acreditava. Não era, portanto, o melhor momento para prestar tal colaboração. Traduzi da pior maneira o que pensava do acordo de Bicesse. Infelizmente, nem a pouca habilidade com que disse que "Cavaco não percebia nada de África, ...pois se ele até era do Poço de Boliqueime..." serviu para salvar o acordo. O Carlos Veríssimo ficou pálido, eu aproveitei para sair do estúdio sem que ele recobrasse a fala e a guerra continuou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, o "África" tinha acabado. Estávamos em Maio de 1991, 31.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em Setembro de 1990, 19, Renato Cardoso tinha sido morto a tiro, na Praia do Quebra-Canela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era um Sábado e, na quinta-feira anterior, tinha-me feito o telefonema mais extraordinário que alguma vez  dele recebi.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um parêntesis para explicar que Renato Cardoso e eu mantinhamos uma amizade muito sólida, com um acordo expresso sobre relações profissionais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele desempenhou funções muito importantes enquanto eu fui delegado da ANOP na Cidade da Praia durante três anos e continuou a fazê-lo, quando eu resolvi apanhar, já em andamento, o projecto do "África Jornal", que o Xavier de Figueiredo tinha resolvido fazer avançar de uma forma extemporânea. Era um projecto sobre o qual vinhamos falando desde 1978, altura em que ele era delegado da ANOP na Guiné Bissau e eu professor cooperante no Liceu da capital.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltarei mais tarde a estes pormenores.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Interessa, agora, falar do telefonema de Renato Cardoso, na quinta-feira, dia 17 de Setembro, durante o qual, utilizando uma linguagem mais ou menos cifrada me pediu para ir à Cidade da Praia ( eu estava em Lisboa), porque precisava muito de falar comigo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estava com receio... palavra esquisita para quem o conheceu. E explicou: o Presidente da República, Aristides Pereira, tinha-o chamado para, no meio de uma conversa rendilhada, lhe dizer que o Carlos Veiga, o jurista que mais dinheiro ganhava em Cabo Verde naquela altura, o tinha informado que ele, Renato Cardoso, andava a manobrar nos bastidores para formar um partido político alternativo ao PAICV.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estávamos, em 1990, altura em que o PAICV, sob o impulso de Renato Cardoso e de Pedro Pires, se preparava para terminar com o sistema de partido único. Ao contrário do que a maioria da opinião pública cabo-verdiana pensava na altura, o adversário da abertura era Aristides Pereira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Renato Cardoso era uma inteligência ímpar. Em Cabo Verde, só Amílcar Cabral se lhe pode comparar. Sabia que o sistema de partido único tinha acabado. Ele tinha feito parte de uma delegação do PAICV que, na sequência das conversações para a Independência da Namíbia, retirada das tropas cubanas de Angola (pormenores de que falarei lá mais para a frente), tinha permanecido em Cuba durante mais de uma semana - Pedro Pires chefiava tal delegação - tinha tentado convencer Fidel de Castro que o sistema de partido único não funcionava em África.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Renato Cardoso, quando passava frente à multidão que se preparava para asssitir ao Festival da Baía das Gatas, em S. Vicente, donde era natural dizia : "estão aqui trinta mil pessoas, eu conheço 15 mil as outras 15 mil conhecem-me a mim". E sorria!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se havia alguma unanimidade em Cabo Verde naquele ano da graça de 1990 - em Setembro - chamava-se Renato Cardoso. Ele poderia ter feito a transição de forma inteligente, sem ter que dividir a sociedade cabo-verdiana como Carlos Veiga fez, apoiando a campanha da insídia contra os dirigentes de então, feita através do boato, da calúnia, dos panfletos anónimos, que ele nunca condenou e de que sempre se aproveitou - ele e a Igreja, através do Bispo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Renato Cardoso foi abatido a tiro, numa emboscada em que, de alguma forma, participou uma mulher. Foi considerado um crime passional, levado a cabo por um marginal, que nunca chegou a ser identificado, numa situação absolutamente indefensável. Perdeu, de uma vez só, a vida e o prestígio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais tarde, conversei com um dos inspectores que a Polícia Judiciária Portuguesa mandou a Cabo Verde para ajudar nas investigações. Estava estupefacto com o profissionalismo de quem tinha eliminado todas as pistas...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Informações de outra natureza levam-me a concluir, de maneira insofismável, que aquele encontro foi preparado contra o Renato.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sem Renato Silos Cardoso, o caminho ficou livre prara Carlos Veiga, que, de resto, de forma pública e notória, se organizava politicamente para aparecer como alternativa ao PAICV. Acabou por ganhar as eleições em Janeiro de 1991.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É verdade que nesse mês de Setembro fui à Cidade da Praia, mas demasiado tarde: o Renato já estava enterrado e a minha dôr foi ampliada pelo facto de ter sabido que David Hoppfer Almada - um dos seus mais pertinazes adversários - tinha feito o elogio fúnebre do meu amigo&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fui mostrar, com os olhos, o meu descontentamento. Pedro Pires estava fora, em viagem de Estado, tinhamo-nos encontrado no aeroporto de Lisboa, sem palavras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aos que, de alguma maneira, estão interessados nesta narrativa, devo uma explicação: Cabo Verde beneficiou claramente da minha actuação como jornalista: primeiro, como correspondente da ANOP e depois como director de um jornal especialmente direcccionado para a problemática africana. Todavia, esse benefício tinha como único fundamento a convicção profunda - que hoje mantenho - de que o único povo que tinha beneficiado com a Independência tinha sido o de Cabo Verde.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Naquele país, depois de ter deixado Angola e ter passado pela Guiné Bissau, encontrei a terra a que gostaria de chamar minha e os homens a quem gostei de considerar camaradas. Do ponto de vista profissional, todavia, sempre cumpri o meu dever. Para ilustrar este facto, mais tarde descreverei o modo como consegui entrar no domínio de alguns "top secrets" da diplomacia cabo-verdiana, facto que lhes provocou alguns dissabores.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este parêntesis serve igualmente para se entender a pressa que tenho de explicar a relação do "África" com o poder saído das eleições de Janeiro de 1991.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Amanhã será.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112181573789906972?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112181573789906972/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112181573789906972' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112181573789906972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112181573789906972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/07/o-fim-de-um-projecto.html' title='O Fim de um Projecto'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14605811.post-112173103217585942</id><published>2005-07-19T01:41:00.000+01:00</published><updated>2005-08-01T12:28:19.596+01:00</updated><title type='text'>Aqui estou</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um amigo - o Carrera - velho companheiro de militância até às últimas consequências, chamou-me no último domingo. "Que fazes tu?" - perguntou-me ele. Surpreso - não é hábito ser invectivado daquela forma - fiquei sem resposta. "...que não te dás conta do que se passa no Mundo?"- acrescentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não ouço notícias por hábito, cortei com os jornais e só vejo televisão de vez em quando. Pensei: aconteceu alguma coisa grave em Nova Yorque: mataram três americanos...com uma bomba de carnaval activada fora de tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuou o meu amigo:"num debate da RDP África falaram do "África". O Patraquim disse que o projecto tinha sido o mais importante de toda a comunicação social portuguesa e que tinha acabado porque os partidos portugueses nunca souberam o que se passava em África e os africanos .... não sei mais o quê. Foi um projecto heróico, consideradas as circunstâncias, etc, etc.".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, o Carrera (Carrera de Porsh) acrescentou: "também tinha lá uns madiés que falaram das ilegalidades do financiamento e que o Pedro Pires, embora impoluto, incorruptível e tudo o resto, tinha cometido algumas ilegadidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, voltou-me tudo à cabeça. Interiormente, agradeci ao Patraquim, poeta moçambicano a quem o jornal "África" sempre abriu as portas.... da tipografia. Embora superficialmente , ele percebeu o esforço heróico, super-humano que foi necessário para fazer aquele jornal semanal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei o fim de semana a magicar, a ruminar. Estou farto de ouvir falar do "meu projecto", cansado de ouvir e ler aleivosias sobre o meu esforço e de mais uma dúzia de homens bons, sem ser consultado, sem ser ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou farto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, como nunca recusei uma luta, aqui estou para contar a estória do "África", de Carlos Veiga e das suas intrigas, primeiro contra Renato Cardoso, depois contra o jornal que o assustava, quando chegou ao poder e entregou o chamado "dossier África" a um jornalista de terceira categoria que trabalhava sob a orientação de um conselheiro, o Eugénio Inocêncio, hoje um rico comerciante cabo-verdiano que criou uma poderosa rede de distribuição à sombra do poder de Carlos Veiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso mesmo começar esta longa série de estórias pela do Eugénio Inocêncio, a quem, no África, sob conselho do João Van Dunenm, chefe de redacção, se deram algumas tarefas no domínio do jornalismo económico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Jornal não tinha dinheiro para pagar a um jornalista económico, mas, segundo o João, ele já não tinha sequer para comer. Sempre se arranjou alguma coisa e ele aproveitou uma reestruturação gráfica do jornal para aparecer com uma coluna pessoal, com fotografia e tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, na busca de apoios para que o jornal funcionasse, através de um empresário português, foi-me indicada a possibilidade de mobilizar apoios de empresários espanhóis da Extremadura, que se iriam reunir-se na capital da região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convidei o Eugénio a estar presente para apresentar o jornal e as perspectivas económicas do espaço do qual falávamos, que era, sobretudo, o da chamada África de Língua Oficial Portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para estar presente exigiu que lhe pagássemos um fato novo e sapatos. A farpela custou, na altura,(85/86) 27 contos e, no caminho para Cáceres, disse ao Engº. Gonçalves Pereira que, "para entrar naquilo também queria o dele...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei conhecimento do desejo do Eugénio e resolvi dispensá-lo, com o fato, sapatos e tudo. Por mór disso fui a tribunal, pela primeira vez na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, como embaixador de Cabo Verde em Lisboa e em licença sem vencimento pela Agência Lusa, ficou célebre pelas contas que fazia nas alfaiatarias e outras bugigangas. Parte dos dinheiros considerados gastos em extravagâncias do tipo eram, afinal, uma forma de canalizar recursos para a segunda família do então primeiro-ministro de Cabo Verde, Carlos Veiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para primeiro dia já chega. Daqui para a frente, vou tentar contar tudo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É só preciso ter paciência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eles têm as televisões, as rádios, os jornais e eu tenho-me a mim e aos meus amigos. Também conto com os meus inimigos, que ,afinal, me prestigiam.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14605811-112173103217585942?l=o-romeiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-romeiro.blogspot.com/feeds/112173103217585942/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14605811&amp;postID=112173103217585942' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112173103217585942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14605811/posts/default/112173103217585942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-romeiro.blogspot.com/2005/07/aqui-estou.html' title='Aqui estou'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
